terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ciclo do Carbono no Google Earth

Imagem retirada de NASA Credit: Tyler Erickson e Google Earth ( clica na imagem para aumentar)
O Google Earth tem uma nova aplicação que mostra os níveis de dióxido de carbono nas diferentes camadas da atmosfera terrestre.
Recentemente o Google promoveu um concurso para apresentar resultados científicos usando KML, um formato de dados usado pelo Google Earth. "Eu tentei pensar num complexo conjunto de dados que teriam relevância pública", disse Tyler Erickson, investigador geoespacial no Tech Research Institute de Michigan em Ann Arbor. Ele optou por trabalhar com os dados da pesquisadora Anna Michalak, da Universidade de Michigan, Ann Arbor, que desenvolve modelos computacionais complexos para detectar a evolução do dióxido de carbono no tempo, por onde ele entra e sai da atmosfera (NASA). Da posse desta informação, conseguimos ter agora um grande plano visual para ver e compreender o ciclo do carbono afirmou o cientista. Pode ver-se a cores o dióxido de carbono a circular na terra através das plantas e da água ou a entrar nos níveis elevados da atmosfera. Em Junho de 2009, Michalak descreveu esta pesquisa no Sistema de Ciência da Terra da NASA no vigésimo simpósio em Washington, DC. Uma imagem da aplicação de Tyler Erickson do Google Earth (em cima) mostra faixas verdes que representam o dióxido de carbono na parte mais baixa da atmosfera próximo à superfície da Terra onde a vegetação e os processos de terra podem ter impacto no ciclo do carbono. As faixas vermelhas indicam as partículas em altitudes mais elevadas que são imunes às influências do solo. A aplicação foi pensada para educar o público e até mesmo os cientistas sobre como as emissões de dióxido de carbono podem ser rastreadas. Para obter estas informações foi instalada uma rede de 1.000 torres nos Estados Unidos, equipada com instrumentos pela NOAA para medir o teor de dióxido de carbono das parcelas de ar em determinados locais. Os dados são recolhidos e posteriormente transferidos para imagens. Parece fácil mas a técnica é complexa e difícil de explicar. Erickson passou 70 horas a programar o aplicativo Google Earth, o que facilita aos utilizadores a navegação através do tempo e do espaço e visualizar o gás a movimentar-e na atmosfera. Pelo seu trabalho, Erickson foi declarado um dos vencedores do Google em Março de 2009. "Esta é uma ferramenta visual que pode ajudar os cientistas a explicar às pessoas o ciclo do carbono de modo a influenciá-las a adoptar hábitos mais amigos do ambiente, para um mundo melhor, disse Michalak. Falamos muitas vezes acerca de como a visualização dos impactos pode tornar as pessoas mais ecológicas, preocupadas com o ambiente. "É uma forma muito mais humana de olhar para a ciência." O próximo passo, disse Erickson, é adaptar a aplicação para se adequar às necessidades da comunidade de investigação. Os cientistas poderiam usar o programa para visualizar a melhorar os modelos atmosféricos de modo a que a representação se aproxime cada vez mais da realidade. "Incentivar mais pessoas para entregar os dados em formato interativo é uma boa ideia", disse Erickson. "Eles devem ajudar a inovação em pesquisa reduzindo as barreiras à partilha dos dados".
Ler notícia em :
http://www.treehugger.com/files/2009/09/google-maps-earth-carbon-cycle.php
e também em http://www.nasa.gov/topics/earth/features/co2_google.html

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Dormir bem reduz falhas de memória


Segundo um estudo (o primeiro) realizado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e publicado no journal Learning & Memory, uma boa noite de sono pode reduzir as falhas de memória tanto nos mais novos como nos mais velhos.Os autores do estudo afirmam que estas descobertas são importantes na medida que trazem implicações práticas para todos, desde os estudantes com problemas em provas de escolha múltipla, como para idosos que confundem os medicamentos que devem tomar. A equipa de investigadores avaliou os níveis de memória num grupos de estudantes universitários, tendo para isso mostrado várias palavras aos participantes, pedindo que eles, após o período de 12 horas, identificassem quais as palavras que tinham visto e ouvido antes. Os estudantes que tinham dormido mais entre os dois momentos do teste foram também os que tiveram menos problemas com a memória, escolhendo menos palavras incorrectas."É fácil confundir as coisas na nossa mente", afirmou a psicóloga Kimberly Fenn, uma das autoras do estudo. "Esta pesquisa sugere que, depois de dormir, somos capazes de discernir os aspectos incorrectos da memória", concluiu a investigadora.
Estas experiências são as primeiras a mostrar que o número de falsas memórias pode ser reduzido após uma boa noite de sono, e que os seus beneficios aumentam a fidelidade dos episódios guardados.
Ler mais em

A mosquinha Drosophila aprende com a experiência das companheiras mais velhas

Segundo uma recente investigação da Universidade de McMaster (Canadá), a pequenina mosca da fruta é capaz de uma aprendizagem social complexa muito semelhante à usada pelos humanos.
A mosca da fruta (Drosophila melanogaster) aprende com as companheiras mais experientes-(Credit:iStockphoto)
Um estudo, publicado muito recentemente ( 16/09/2009) na revista Proceedings of the Royal Society B, demonstrou que as moscas fêmeas de Drosophila melanogaster, inexperientes podem aprender com as suas companheiras com mais experiência, as moscas da fruta que já se reproduziram.
Os cientistas que investigavam as raízes evolutivas da aprendizagem social em insectos, descobriram que as moscas que pela primeira vez iam pôr ovos, escolhiam os lugares onde se viam ovos já postos por moscas mais experientes em frutas maduras, em vez de procurar novas frutas maduras.
Esta investigação sugeriu também que os insectos de hábitos solitários podem mostrar aprendizagem social, o que levanta a possibilidade de a aprendizagem mútua ter promovido a evolução da socialização entre os insectos como mecanismo de sobrevivência.
Assim, parece que a mosca da fruta é muito mais sofisticada do que se pensava até aqui, afirmou Dukas, Professor associado do Departamento de Psicologia, Neurociência e Comportamento, co-autor do estudo com Sachin Sarin (estudante de pós-graduação). "Ela partilha muitos dos genes e compostos que controlam a aprendizagem nos humanos. Este estudo abre novas vias de investigação sobre a evolução e a neurogenética da aprendizagem social".

domingo, 20 de setembro de 2009

Mãe, porque os flamingos ficam de pé sobre uma só pata


É um dos mais enigmáticos mistérios da natureza: porque os flamingos se apoiam numa só pata?
A questão já foi colocada tanto por biólogos como por visitantes de jardins zoológicos, por todo o mundo mas apesar das numerosas teorias que têm surgido, ninguém forneceu ainda uma explicação definitiva.
Agora, depois de um estudo exaustivo de flamingos das Caraíbas em cativeiro, dois cientistas acreditam ter finalmente encontrado a resposta: os flamingos ficam de pé só sobre uma pata para regular a temperatura.
Matthew Anderson e Sarah Williams, psicólogos da Universidade Saint Joseph de Filadélfia, são cientistas que se dedicam ao estudo da evolução dos comportamentos.
"Os flamingos captaram a minha atenção por variadas razões", diz Anderson. "Cientificamente falando, a sua natureza altamente gregária torna-os a espécie ideal para investigar influências sociais no comportamento, e esteticamente falando, são grandes, lindos e verdadeiros ícones de beleza. Mas talvez a mais importante tenha sido o facto da inexistência de investigação empírica sistemática e conduzida por hipóteses feita com estas aves."
A investigação de Anderson e Williams começou com o estudo da lateralidade em flamingos:isto é saber se os flamingos revelam alguma preferência sobre o lado do corpo que utilizam para diversas tarefas, tal como os humanos podem ser dextros ou canhotos.
Descobriram que os flamingos preferem descansar a cabeça num dos lados do corpo e que o lado que o flamingo escolhe para pousar a cabeça determina o grau de agressividade para com os restantes membros do bando.
Isso levou-os a investigar se os flamingos também escolhem ficar sobre alguma das patas preferencialmente, e daí, qual o motivo porque se apoiam apenas numa pata, testando empiricamente a questão pela primeira vez.
Para levar a cabo esta investigação, Anderson e Williams passaram vários meses a observar os hábitos de flamingos das Caraíbas Phoenicopterus ruber em cativeiro no Jardim Zoológico de Filadélfia, onde os animais têm anilhas que os identificam individualmente.
Primeiro examinaram se apoiar-se apenas numa pata reduz a fadiga das patas das aves ou se ajuda os flamingos a escapar mais rapidamente de predadores encurtando o tempo que demoram a levantar voo. Ambas as situações tem sido vulgarmente apresentadas como razões para a postura unipedal de repouso dos flamingos. Os cientistas eliminaram cada uma delas pois a sua pesquisa mostrou que os flamingos levavam mais tempo, e logo mais energia, para se deslocarem depois de descansarem sobre uma pata por oposição a descansar sobre as duas. As aves também não revelavam preferências sobre a pata que escolhiam.
Ficar sobre uma pata também não ajuda no equilíbrio das aves quando está vento, outra ideia que tinha sido proposta.
No entanto, os investigadores descobriram que os flamingos preferem ficar só sobre uma pata muito mais frequentemente quando estão na água do que em terra, como referiram na última edição da revista Zoo Biology. "Como a água inevitavelmente retira mais calor corporal, este resultado apoia a hipótese de termorregulação", diz Anderson.
Resumindo, as aves ficam sobre uma só pata para conservar o calor do corpo. Se colocassem as duas patas na água perderiam mais calor do que seria saudável, facto particularmente importante pois que passam tanto tempo na água em busca de alimento.
"Os resultados fornecem evidências definitivas de que a termorregulação é a principal função do descanso unipedal em flamingos", confirma Anderson.
Provavelmente, o motivo porque as aves alternam entre uma pata e outra é para evitar que aquela que está mergulhada na água arrefeça demasiado. "Se ficassem constantemente numa só pata arriscavam-se a uma maior perda de calor e a possíveis danos nos tecidos devido ao frio."
Os investigadores também descartaram outras teorias mais estranhas, como a que sugere que os animais ficam sobre uma só pata para ajudar a melhorar a circulação sanguínea ao limitar os efeitos da gravidade, mas não eliminam a ideia de que possam existir outros efeitos benéficos, para além da conservação do calor.
"Dado o estilo de vida aquático dos flamingos, também talvez o descanso unipedal ajude a reduzir a carga de parasitas ou de fungos", diz Anderson. Outras aves, como as garças, cegonhas, patos e muitas outras também ficam muitas vezes só sobre uma pata na água, quem sabe se pelas mesmas razões que os flamingos, mas como estes ficam mais tempo na água para se alimentarem do que as outras aves, talvez seja uma especulação, referiu.
Saber mais:

sábado, 19 de setembro de 2009

Mais próximo das estrelas com GigaGalaxy Zoom

Um projecto da Organização Europeia para Pesquisa Astronómica no Hemisfério Sul (ESO, na sigla em inglês)no âmbito do AIA 2009 o GigaGalaxy Zoom permite ir pela Via Láctea "adentro". Com um panorama interactivo de 800 milhões de pixeis do céu, é possível ter acesso a informação e imagens objectos de céu profundo (e não só). Vale a pena espreitar as nossas vizinhanças para ver as estrelas mais de perto e aprender mais sobre a Via Láctea. Basta clicar sobre o grande panorama, obtendo informações e imagens detalhadas de certas regiões específicas.
As mais de 1.200 fotos que compõem a imagem foram feitas pelo fotógrafo francês Serge Brunier. Ele passou as semanas entre Agosto de 2008 e Fevereiro de 2009 nos observatórios do ESO no Chile, La Silla e Paranal, e em La Palma, nas Ilhas Canárias.
Com as fotos brutas o francês Frédéric Tapissier e outros especialistas do ESO recriaram o céu exactamente como os nossos olhos o vêem do melhor ponto de observação do planeta, montando um panorama de 360º que abrange toda a abóbada celeste. A imagem final possui uns espantosos 800 milhões de pixels – no entanto, a versão disponibilizada na internet para o público está com “apenas” 18 milhões.
Clica aqui para iniciares a viagem.Vais descobrir novos mundos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Macacos curados de daltonismo graças a terapia genética

Terapia genética potencia a cura do daltonismo. Técnica tem potencial de ser aplicada a seres humanos. Simulação de como Dalton veria o seu jantar, antes e depois do tratamento-Photograph: Neitz Laboratory
Investigadores americanos conseguiram curar o daltonismo de dois macacos-esquilo, através do recurso a uma terapia genética. O estudo, publicado esta semana na Nature, revela que o método utilizado pode ser aplicado na resolução de problemas de visão de seres humanos adultos, nomeadamente o daltonismo, visto que já não têm a plasticidade cerebral das crianças. Esta espécie de primatas é caracterizada pelos machos serem daltónicos, enquanto as fêmeas vêem as cores normalmente. Os dois macacos machos que serviram como cobaias no estudo, Dalton e Sam, foram acompanhados durante dez anos pela equipa liderada por Jay Neitz, da Universidade de Washington. Neste contexto foram submetidos a diversas provas que incluíam a apresentação de padrões gráficos, a fim de verificar se distinguiam as cores ou não. Estes padrões só podem ser reconhecidos quando a visão diferencia perfeitamente as cores. Enquanto isso, na Universidade da Flórida, William Hauswirth e os seus investigadores desenvolveram uma terapia genética para actuar nas células cone, extremamente importantes para a visão humana. Esta terapia consiste na introdução na retina de uma proteína extraída de genes humanos – opsina L -, que promove a produção de pigmentos sensíveis ao verde e ao vermelho. Os primeiros resultados surgiram passadas cinco semanas do início do tratamento e, ao fim de um ano e meio, Sam e Dalton já conseguiam distinguir 16 cores. O estudo é revolucionário, pois pensava-se que só o cérebro das crianças tinha a capacidade de processar novos estímulos. Prova-se assim que, pelo menos em relação às cores, a premissa não é verdadeira, visto que os cérebros dos adultos também tem essa capacidade. Segundo a co-autora do estudo, Katherine Mancuso, da Universidade de Washington, ainda assim será necessário garantir a segurança deste procedimento, pelo que a aplicação desta técnica em seres humanos pode demorar alguns anos. O daltonismo afecta maioritariamente os homens, sendo que um em cada 12 é afectado por esse distúrbio genético, enquanto apenas uma em cada 230 mulheres sofre dessa deficiência visual.
Os dois macacos-esquilo tornaram-se assim a base da promessa da possível oportunidade para acrescentar ou restaurar funções ao olho humano. A equipa espera conseguir usar este conhecimento para tratar este problema em humanos, mas também conseguir chegar a outras doenças mais graves, como a retinopatia diabética ou a degeneração causada pelo envelhecimento. “É uma promessa grande e um passo muito importante. No futuro a terapia genética será resposta para muitos problemas de visão.
Fonte da notícia: Cienciahoje.pt e

domingo, 13 de setembro de 2009

Descoberto método para vencer resistência de bactérias aos antibióticos

Imagem de Scanning electron micrograph (SEM) shows a strain of Staphylococcus aureus bacteria taken from a vancomycin intermediate resistant culture (VISA). (Credit: Janice Haney Carr) retirada de http://www.sciencedaily.com/releases/2009/05/090527170308.htm

Uma equipa de investigadores da Universidade de Nova York (Estados Unidos) descobriu um mecanismo que pode ser capaz de reduzir a toxicidade e aumentar a eficácia dos antibióticos em doses baixas em algumas bactérias resistentes como staphylococcus aureus ou o anthrax.
Concretamente, a investigação descobriu que o óxido nítrico presente no organismo é o responsável por criar certas resistências nestas bactérias, de modo a poderem defender- se do stress oxidativo que os antibióticos lhes causam e neutralizar o efeito de muitos dos seus componentes antibacterianos.
Segundo os cientistas, inibir o efeito do óxido nítrico acabaria com muitas bactérias que criaram resistências aos fármacos e permitiria a utilização de antibióticos em doses mais baixas que seriam mais efectivas e menos tóxicas para o nosso organismo.
Sabe-se que o óxido nítrico está presente em diversos gases tóxicos e na poluição do ar e também diversos estudos demonstraram a sua participação em diferentes reacções fisiológicas como a aprendizagem e a memória, a pressão arterial ou a disfunção eréctil.
Todavia, até agora não se tinha demonstrado a sua participação na criação de resistências bacterianas aos antibióticos. Com base nisto os autores do estudo propõem o uso de enzimas inibidoras do óxido nítrico e já comercializadas, para tornar as bactérias como os estafilococos e o antrax mais sensíveis aos antibióticos.
"O desenvolvimento de novos fármacos para combater bactérias resistentes não é viável devido ao elevado custo e aos inúmeros efeitos adversos que surgem no organismo durante o tratamento da infecção" explicou , Evgeny A. Nudler, autor do estudo.
Em contrapartida, "inibindo a acção do óxido nítrico ganhamos a batalha na luta contra as bactérias já que não temos que inventar novos antibióticos, apenas é preciso melhorar a sua actividade, inclusive em doses baixas", referiu Nudler.
Fonte da notícia aqui e também aqui

domingo, 6 de setembro de 2009

CONSEGUIDA A PRIMEIRA IMAGEM DE UMA MOLÉCULA

Usando um microscópio de força atómica, cientistas "fotografam" molécula

Primeira imagem de uma molécula individual, uma molécula orgânica chamada pentaceno-em cima. Estrutura teórica do pentaceno-em baixo. [Imagem: IBM Research - Zurich]

Investigadores da IBM em Zurique, conseguiram, pela primeira vez, “fotografar” uma molécula individual. Até agora tal não tinha sido possível devido à sensibilidade das moléculas, embora os microscópios mais potentes já consigam obter imagens de átomos individuais. O trabalho foi publicado na edição de 28 de Agosto da revista científica Science. Este estudo poderá auxiliar no desenvolvimento de produtos electrónicos e até de remédios em escala molecular

COMO FOI POSSÍVEL TAL FEITO INÉDITO

A fotografia foi obtida pela interacção entre a ponta de prova do microscópio de força atómica(AFM) e a molécula que está a ser observada. Estas interacções são interpretadas pelo software do microscópio que produz a imagem do relevo da molécula. Da mesma forma que se usa o raio X para se obter imagens dos ossos e órgãos internos, os cientistas usaram o microscópio de força atómica para obter imagens das estruturas atómicas que são a espinha dorsal das moléculas individuais. A técnica, chamada de Microscopia de Força Atómica, mede a força de atracção entre os átomos da amostra e a ponta de prova do microscópio. É como se a ponta de prova pudesse “apalpar” a amostra. A imagem é assim criada através das variações na intensidade da força.

Contudo, ao ser usado para obtenção de imagens de moléculas inteiras, a ponta deste sistema acaba por interagir com a molécula, impedindo a aquisição da imagem. O problema foi resolvido colocando-se na ponta de prova do microscópio uma molécula de monóxido de carbono. Assim, o pentaceno (molécula com 22 átomos de carbono e 14 de hidrogénio, com 1,4 nm de comprimento), molécula usada no estudo, entra em contacto apenas com a molécula pouco reactiva de oxigénio do monóxido de carbono, não havendo o risco de se quebrar ou ligar à ponta do microscópio devido às forças electrostáticas ou de Van der Waals. Isto acontece porque os electrões à volta da molécula do pentaceno e os electrões à volta da molécula de monóxido de carbono estão do mesmo lado e criam uma pequena força repulsiva, o que mantém as moléculas afastadas e permite o funcionamento do microscópio de força atómica. Medindo desta forma, os cientistas construíram o “mapa topográfico” da molécula, o que se transformou na primeira visualização de uma molécula inteira.
O microscópio eletrónico cria uma espécie de "mapa topográfico" da molécula. A visualização directa, por meios ópticos, é impraticável porque a molécula é muito menor do que o comprimento de onda da luz visível. [Imagem: IBM Research - Zurich]

Sendo o espaçamento entre os átomos de carbono no pentaceno de 0,14nm, na imagem obtida pode ver-se claramente o formato hexagonal dos cinco anéis de carbono e a posição de cada átomo individual de carbono. Até mesmo as posições dos átomos de hidrogénio podem ser deduzidas nesta imagem. A ponta do microscópio passa apenas a 0,5 nm da amostra. Foram precisas 20 horas de funcionamento do aparelho para se obter uma imagem única.


O líder da pesquisa, Leo Gross, afirmou à BBC que os cientistas pretendem agora combinar o método para medir as cargas individuais dos átomos, desenvolvido por eles, com a nova técnica, o que pode permitir que eles descrevam moléculas com um grau de detalhe sem precedentes.
Estas pesquisas devem ajudar particularmente no campo da “eletrónica molecular”, auxiliando, no futuro, na criação de estruturas formadas por moléculas individuais que possam funcionar como interruptores e transístores.
Embora a técnica possa traçar as ligações que conectam os átomos, ela não é capaz de distinguir átomos de diferentes tipos.
A equipa de pesquisadores pretende agora testar a nova técnica com uma similar chamada de STM (Scanning Tunneling Microscope) para determinar se a combinação dos dois métodos pode descobrir a natureza de cada átomo nas imagens do AFM.
Este desenvolvimento será muito importante para as pesquisas a nível de vários ramos da biologia, electrónica molecular, química, em particular, a química sintética, usada para a produção de remédios.
Fonte da notícia: BBC news e

sábado, 5 de setembro de 2009

Ursos Panda em Perigo de Extinção

O panda gigante da China pode desaparecer "em duas a três gerações" devido ao rápido crescimento económico que tem vindo a destruir o habitat natural destes animais, alertou no mês passado, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Segundo a organização não-governamental WWF, o grande problema é que o habitat natural do panda gigante, o emblemático urso preto e branco que é um dos símbolos da China, está a ser dividido em pequenos territórios, o que dificulta que diferentes populações de animais entrem em contacto para se reproduzirem."Se o panda não conseguir encontrar parceiros de outros habitats para acasalamento pode enfrentar a extinção em duas ou três gerações", alerta Fan Zhiyong, director do programa de espécies da WWF na China, lembrando que o risco de endogamia (cruzamento com membros de seu próprio grupo) reduz ainda a resistência destes animais às doenças. O especialista do WWF precisa que a "construção de estradas próximas às reservas naturais" está a causar uma "considerável restrição de liberdade de movimentos, obstruindo rotas de migração e prejudicando a saudável troca de genes entre representantes da espécie". No entender de Fan Zhiyong, para diminuir a pressão sobre estes animais e garantir a sua conservação é fundamental abdicar da construção de infra-estruturas nas imediações das reservas naturais. Actualmente há cerca de 1600 pandas a viverem em liberdade na China, a maioria nas províncias de Sichuan (sudoeste), Shaanxi (norte) e Gansu (noroeste). No entanto, as estimativas da WWF apontam para que 43 por cento dos habitats naturais ainda não sejam considerados reservas naturais ou áreas protegidas e que 29 por cento destes animais careça de protecção efectiva.
Fonte da notícia aqui

Saguins fãs de Metallica

Imagem retirada de flickr.com
Símios gostam de ouvir Metallica, são as conclusões de um estudo publicado no "Biology Letters" da Royal Society. O objectivo era descobrir até que ponto é que os primatas são capazes de responder a estímulos sonoros e evidenciar emoções semelhantes às dos seres humanos.
Banda heavy metal dos Metallica. Photograph: Andy Fossum/Rex Features
O estudo realizado pelo norte-americano, Chuck Snowdon, psicólogo da Universidade de Wisconsin-Madison e o violoncelista David Teie comparou os efeitos de músicas compostas para humanos em macacos e descobriu que a música dos Metallica tem o efeito de acalmar os saguins-de-cabeça-branca (Saguinus oepidus). A experiência consistiu em tocar trechos de música de 30 segundos para 14 macacos e registar as mudanças no seu comportamento. David Teie fez de DJ e remisturou vários sons dando a ouvir a estes macacos o «Adagio for Strings», de Samuel Barber, uma suave melodia de piano, «The Fragile», do grupo de rock Nine Inch Nails, ou o «The Grudge», dos Tool, seguido de um pouco de heavy metal, «Of Wolf and Man», dos Metallica. A música dos Metallica foi a única que teve efeito sobre o grupo, acalmando os animais. Os investigadores chegaram à conclusão que os primatas reagiam emocionalmente a músicas que incorporavam sons comuns em chamamentos de macacos, especialmente determinadas cadências.
O estudo quer entender se outros animais têm a mesma relação emocional com a música que os humanos. “Os componentes dos gritos humanos e animais podem ser muito similares, e de uma perspectiva evolucionária, estamos descobrindo que padrões de notas, dissonâncias e ritmo são importantes para comunicar estados afectivos tanto em animais quanto em pessoas”, disse Snowdon ao jornal britânico “The Guardian”.
Ler notícia em: http://www.cienciahoje.pt/ e também em
Informação sobre os saguins de cabeça de algodão aqui

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

20 anos... e nada de Leões no Quénia

O Quénia tem em perigo uma da espécies mais apreciadas - Os Leões. Particularmente também é uma espécie que me fascina.
A população de leões do Quénia pode desaparecer completamente nos próximos 20 anos, como consequência das alterações climáticas, da destruição do seu habitat, das doenças e dos conflitos com o Homem, revela um estudo divulgado esta segunda-feira pelas autoridades do país.




No Quénia, uma média de 100 leões morre a cada ano desde 2002, de acordo com o Serviço Queniano da Vida Selvagem (KWS). Segundo os técnicos, esses felinos podem entrar em extinção em duas décadas se nada for feito para reverter a situação.
Mas a principal causa de ameaça são os fazendeiros, que matam os leões para evitar ataques aos seus animais. Um assassinato absurdo, já que os leões atacam os animais por puro extinto e falta de opção. Ou não foram os seres humanos que invadiram e destruíram o habitat natural dos felinos?
De sete anos para cá, a população felina passou de 2.749 para 2.000. O instituto está preocupado, pois defende a necessidade de estabilização ou aumento no número de leões. Eles dizem que é preciso “educar as pessoas sobre a importância dos felinos, até no turismo”.
Além disso, é preciso pensar no que acontecerá com outras espécies quando sumirem os leões. Nenhum desequilíbrio pode ser positivo.

O KWS referiu que na reserva de Tsavo só restam 675 leões.
Este parque tornou-se famoso devido a um par de leões que devoraram umas dezenas de trabalhadores da via férrea em finais do século XIX. Este incidente serviu de argumento para o filme de 1996 " A sombra e a escuridão, no original -The Ghost and the Darkness-, protagonizado por Michael Douglas e Val Kilmer.
Notícia lida em:

Encontrado aminoácido pela primeira vez num cometa

Cientistas da NASA descobriram glicina, um dos blocos fundamentais da vida, em amostras do cometa Wild 2 enviadas pela sonda Stardust da NASA.

Cometa Wild 2 e sonda Stardust(impressão de artista) -Crédito: NASA/JPL(clique na imagem para ver versão maior)

Depois dos asteróides, é a vez de se descobrir moléculas da vida em cometas. A glicina, um dos 20 aminoácidos conhecidos – que juntos fabricam milhares de proteínas diferentes em todos os seres vivos –, foi recolhida pela sonda espacial Stardust da NASA, a partir da cauda do cometa Wild 2.


As proteínas são das mais importantes moléculas para a vida, usadas em tudo, desde estruturas como o cabelo até às enzimas, os catalisadores que aumentam ou regulam as reacções químicas. Tal como as letras do alfabeto são organizadas em combinações infinitas para formar palavras, a vida usa 20 diferentes tipos de aminoácidos numa enorme variedade de arranjos para construír milhões de proteínas diferentes.


“A nossa descoberta dá força à teoria de que alguns dos ingredientes da vida se formaram no espaço e chegaram à Terra há muito tempo, através de impactos de meteoritos e cometas”, disse Jamie Elsila, do Goddard Space Flight Center da NASA, que fica em Greenblet, em Maryland. A investigadora é a primeira autora do artigo que descreve a descoberta, e que será publicado na revista "Meteoritics and Planetary Science". A pesquisa foi apresentada durante uma reunião da Sociedade Química Americana em Washington, no passado dia 16 de Agosto.


"A descoberta de glicina num cometa suporta a ideia que os principais blocos da vida são prevalentes no espaço, e reforça o argumento que a vida no Universo pode ser comum em vez de rara," disse o Dr. Carl Pilcher, Director do Instituto de Astrobiologia da NASA, que co-financiou o estudo.


A sonda Stardust passou através de uma densa nuvem de poeiras e gases que rodeavam o núcleo de gelo do Wild 2 em Janeiro de 2004. À medida que viajava por este material, uma grelha especial de recolha, cheia de aerogel - um material esponjoso, composto por mais de 99% espaço vazio -, gentilmente capturava amostras de gás e poeira cometária. A grelha veio alojada numa cápsula que se libertou da sonda e que aterrou na Terra a 15 de Janeiro de 2006. Desde aí, cientistas de todo o mundo mantiveram-se ocupados a analisar as amostras de modo a aprender os segredos da formação dos cometas e da história do nosso Sistema Solar. Os cientistas tiveram que se certificar de que a glicina foi mesmo fabricada no espaço. Para isso mediram a quantidade de carbono 13, uma variação do carbono que existe em maior quantidade no espaço e também em maior quantidade na glicina.


Notícia lida em Público.pt, ciênciahoje.pt e em http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2009/08/19_aminoacido_cometa.htm

A nossa Pele



A pele representa 16% do peso do corpo humano. Parece pouco? Para uma pessoa que tenha 70 kg, a pele é responsável por cerca de 12 kg do seu peso. Toda a superfície da sua pele mede de 1,5 a 2 metros quadrados. A pele é formada por três camadas, bem unidas entre si. São elas: epiderme, derme e hipoderme. Todas são importantes para o corpo, e cada uma tem características e funções diferentes.
A epiderme é a camada mais externa da pele, aquela que se pode ver, é formada, na sua superfície, por células achatadas, chamadas queratinócitos, ricas em uma proteína chamada queratina. É a queratina que, entre outras substâncias, ajuda a evitar a desidratação, ou perda de água, do organismo. Isso porque esta proteína mantém as células mais unidas e, conseqüentemente, com menos espaço para ocorrer a evaporação da água.
A epiderme tem ainda outras células, chamadas melanócitos, as que produzem a melanina, outra proteína, de cor escura, responsável pela pigmentação da pele. A quantidade de melanina determina a cor da pele de cada um. Além disso, a melanina protege a pele dos efeitos nocivos do sol. A epiderme está em constante renovação: as células mais antigas são substituídas por outras mais novas. As células (queratinócitos) nascem mais redondinhas e vão se achatando à medida que chegam na superfície.
A derme é a camada do meio da pele. Ela mede de um a quatro milímetros. É formada por fibras e por grande quantidade de vasos sangüíneos e terminações nervosas. As terminações nervosas (as extremidades dos nervos, ), que estão localizadas na derme, recebem os estímulos do meio ambiente, e os transmitem ao cérebro, através dos nervos. Estes estímulos são traduzidos em sensações, como dor, frio, calor, pressão, vibração, cócegas e prazer.
A hipoderme é a terceira e última camada da pele. Esta camada é formada basicamente por células de gordura. Sendo assim, sua espessura é bastante variável...(depende se a pessoa é gordinha ou magrinha). Ela apoia e une a epiderme e a derme ao resto do corpo. E permite que as duas primeiras camadas deslizem livremente sobre as outras estruturas do organismo. Além disso, a hipoderme mantém a temperatura do corpo e acumula energia para o desempenho das funções biológicas.
A pele tem várias funções: Transmissão de estímulos e sensações (frio, calor, tacto, pressão, dor, vibração, cócegas e prazer), regulação da temperatura corporal (elimina ou conserva o calor do corpo, conforme a necessidade), suor , arrepios, protecção (serve de “armadura”: suas estruturas protegem o corpo das agressões do meio ambiente, como bactérias e fungos, condições climáticas, poluição e substâncias químicas, entre outras.)
A pele é o maior e mais visível órgão do corpo humano. Sua riqueza e sua complexidade biológicas só são excedidas pelas do cérebro e do sistema imunológico. ”Nossa pele é uma espécie de roupa espacial, dentro da qual nos movemos no seio duma atmosfera de gases agressivos, de radiação solar e de obstáculos de todos os tipos". “Nossa pele – é o que fica entre nós e o mundo. Se pensarmos sobre o assunto, verificamos que nenhuma outra parte nossa, entra em contacto com outra coisa além de nós como a pele. Ela nos aprisiona, mas também nos fornece a forma individual, protege-nos contra invasores, resfria-nos ou aquece-nos quando necessário, produz a vitamina D de que necessitamos, contém os fluídos de nosso corpo. Talvez o facto mais extraordinário seja sua capacidade de se recuperar e de, constantemente, se renovar. Pesando de três a cinco quilos, é o maior órgão que possuímos e o mais importante para a atração sexual (...) É à prova d´água, lavável e elástica. Apesar de ficar flácida ou enrugada quando envelhecemos, resiste surpreendentemente bem ao tempo. Em quase todas as culturas, é a tela ideal para ser decorada com pinturas, tatuagens e jóias. Porém, mais importante do que tudo, é o "centro do tacto".

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Vitamina C ajuda a proteger a pele

Equipa do IBMC divulga estudo sobre propriedades regeneradoras do ácido ascórbico

As frutas cítricas são ricas em vitamina C - foto em flickr.com

Um grupo de investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) do Porto e da Universidade de Leicester (Reino Unido) realizou um estudo onde confirma o poder da vitamina C na regeneração da pele. Em comunicado enviado à Lusa, o grupo de investigadores salienta que “os dados comprovam que a vitamina C favorece a cicatrização de feridas através da estimulação da reentrada dos fibroblastos quiescentes no ciclo celular, promovendo a migração de células”.“Contribui assim para a manutenção de uma pele saudável, possuindo propriedades anti-oxidantes que protegem o DNA celular contra a danificação pela oxidação”, sublinham os autores da investigação, frisando que estas conclusões “podem conduzir a avanços na prevenção e tratamento de lesões ou cancro da pele”. Este estudo identificou novas propriedades protectoras da vitamina C nas células da pele humana, com base na identificação da expressão de genes que promovem uma melhor regeneração mesmo que haja danos no DNA de algumas células. Os investigadores analisaram o efeito da longa exposição de um derivado da vitamina C, o ácido ascórbico 2-fosfato (AA2P), em fibroblastos dérmicos humanos (células responsáveis pela regeneração da pele). Os resultados demonstraram que “a vitamina C protege a pele através da promoção da proliferação e migração de fibroblastos, permitindo também a reparação de potenciais danos no DNA”. Em vez de se centrar apenas nos efeitos imediatos da simples adição da vitamina C às células, este estudo foi mais longe e focou-se nos efeitos da exposição contínua. Desta exposição resultaram “fibroblastos mais capazes de cicatrizar os danos resultantes da oxidação do DNA, aumentando o número de células que migraram para a área danificada, o que indica melhoria na cicatrização”, sustentam os investigadores.
Fonte da notícia: cienciahoje.pt

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Animais com coração

Não, não se trata de arte corporal... em animais...
...É a natureza a criar obras de arte.
São surpreendentes as marcas em forma de coração na pele dos animais das fotos . São ...não são? A natureza têm destas coisas...
...no cachorrinho


...na vaquinha

...no pequeno porco

...no gatinho


e finalmente na viúva negra...surpreendente.



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Poderosa e surpreendente tempestade observada em Titã, pela primeira vez

Saturn and Titan (six o'clock). CREDIT: Gemini Observatory/AURA/Henry Roe, Lowell Observatory/Emily Schaller, Insitute for Astronomy, University of Hawai‘i


Anéis de Saturno e a lua Titã - 800 x 600 - 154k - jpg
cchla.ufpb.br

Um artigo científico que descreve a primeira tempestade observada a latitudes tropicais da lua de Saturno, Titã, foi publicado na edição de 13 de Agosto da revista Nature. A chuva que cai em Titã não é de água, na realidade metano líquido e pode ser responsável pela formação de canais e de outras características perto do equador, observadas pela sonda Huygens em 2005. O estudo foi escrito pela, Dra. Emily Schaller, enquanto trabalhava para o Hubble no Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii.



Gigantesca trovoada rebenta nos trópicos de Titã. (Credit: Emily Schaller et al./Gemini Observatory


A gigantesca tempestade, observada com o Complexo de Telescópios Infravermelhos da NASA e o Telescópio Gemini Norte em Mauna Kea, Hawaii, cobriu quase três milhões de quilómetros quadrados, aproximadamente o tamanho da Índia. Enquanto o diâmetro da Terra é de 12.756 km, o de Titã é de 5.150 km, apenas um pouco maior que Mercúrio, o planeta mais pequeno do nosso Sistema Solar.
Titã é a única lua do Sistema Solar com uma espessa atmosfera, e tal como a Terra, tem um ciclo meteorológico que inclui nuvens e chuva. No entanto, em Titã, a substância que forma as nuvens e que precipita sobre a superfície, não é água, mas sim metano (gás natural). Titã é tão frio com temperatura de -178ºC, que o metano é líquido, e existem "rochas" feitas de água gelada, em vez de rocha.
As nuvens em Titã são geralmente muito mais pequenas e ocorrem com muito menos frequência que na Terra, o que levou os cientistas a questionar como é que os rios e canais observados pela sonda Cassini e pela Huygens se formaram. "Após mais de 3 anos a observar Titã e a descobrir pouca ou quase nenhuma actividade nas suas nuvens, Titã subitamente proporcionou-nos um espectáculo," exclamou Schaller.
Ao contrário dos enormes canais em Marte, que foram provavelmente escavados há milhões ou milhares de milhões de anos por áqua líquida, as características esculpidas em Titã, como as da Terra, continuam a formar-se hoje em dia. As observações durante os próximos anos com telescópios em terra ou por instrumentos a bordo da Cassini, irão continuar a revelar mais pistas acerca da meteorologia e da geologia deste mundo, que partilha muitas semelhanças com o nosso.
A missão Cassini-Huygens foi lançada em 1997 e alcançou Saturno em Julho de 2004. A Cassini completou a sua missão inicial de quatro anos, de explorar o sistema saturniano, em Junho de 2008. Está agora a trabalhar numa missão prolongada, procurando respostas a novas questões levantadas durante os seus primeiros anos em Saturno. A Huygens separou-se da Cassini a 25 de Dezembro de 2004, e aterrou em Titã, a maior lua de Saturno, a 14 de Janeiro de 2005. Transmitiu informação durante mais de uma hora, apesar de uma dura aterragem e da grande pressão atmosfera da lua.
Links:
Comunicados de imprensa:
National Science Foundation
Notícias relacionadas:
Wikipedia
Saturno:
Fonte da notícia:

sábado, 8 de agosto de 2009

Bio-engenharia de tecidos cria dentes em ratos de laboratório

Dentição de leite, dentição definitiva e dentição de…laboratório. É bem possível que chegue o dia em que iremos a uma consulta para que nos façam um pequeno implante de células na mandíbula e ao fim de umas semanas , teremos ganho um dente perfeitamente funcional. De momento, os primeiros premiados com estes dentes fabricados por cientistas japoneses são os nossos amigos ratos de laboratório.


Imagem de um dos ratos da experiência, com o dente fabricado em verde fluorescente. (Foto: Takashi Tsuji)

Investigadores japoneses conseguiram fazer crescer dentes de substituição em mandíbulas de ratinhos usando uma técnica que poderá levar ao desenvolvimento de órgãos completos em organismos. Já existia tecnologia capaz de desenvolver alguns tecidos em laboratório que depois podiam ser transplantados em animais. Mas o que a equipa de Etsuko Ikeda, da Universidade de Ciências de Tóquio, agora explora são meios para fazer crescer órgãos no próprio organismo.

Os resultados desta investigação aparecem publicados no último número de "Proceedings of the National Academy of Sciences". Os autores do Instituto de Investigação para a Ciência e tecnologia da Universidad de Ciencias de Tóquio, descrevem a criação de um germe dental (pequena massa de tecidos a partir da qual se forma um dente) através da técnica de bio-engenharia e o seu desenvolvimento satisfatório após o implante no osso alveolar do roedor.


A equipa dirigida por Takashi Tsuji, especialista em Biología Celular foi muito além do simples fabrico da peça dental (em 2007),foi capaz de implantar o tecido germinal no maxilar do ratinho de modo a que este se desenvolvesse do mesmo modo que um dente normal.

Segundo o estudo, esses germes cresceram normalmente dando origem a dentes perfeitamente funcionais, com dureza comparável à dos naturais e fibras nervosas capazes de responder a estímulos de dor. Seguindo a expressão genética com uma proteína fluorescente inserida no germe transplantado, os investigadores comprovaram que os genes activados no desenvolvimento dos dentes estavam também activos durante o crescimento dos dentes de substituição.

A técnica usada poderá levar ao desenvolvimento de órgãos de substituição e permitir fazer crescer órgãos funcionais completos dentro de organismos a partir de células estaminais ou outras células germinais. “Propomos esta tecnologia para modelo de futuras terapias de substituição de órgãos”, escreveram os investigadores do estudo.

A técnica está longe de poder aplicar-se nas pessoas. O problema fundamental reside em encontrar as células para fabricar os germes, já que as progenitoras embrionárias dos dentes humanos não estão identificadas.” No futuro, as células mães adultas dos pacientes serão analisadas para determinar se se podem usar. Outros candidatos incluem as células mãe embrionárias e as iPS (células reprogramadas), assinala Tsuji.

Artigo: Etsuko Ikeda, Ritsuko Morita, Kazuhisa Nakao, Kentaro Ishida, Takashi Nakamura, Teruko Takano-Yamamoto, Miho Ogawa, Mitsumasa Mizuno, Shohei Kasugai e Takashi Tsuji Fully functional bioengineered tooth replacement as an organ replacement therapyPNAS 2009 : 0902944106v1-pnas.0902944106.
Link:
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Por dentro do vírus HIV...finalmente descodificado o seu genoma

Uma nova técnica permitiu pela primeira vez a descodificação de todo o mapa genético do vírus HIV, que dá origem à sida, permitindo que os cientistas tenham uma "visão geral" desse genoma, abrindo uma porta para novas terapias.




Uma equipa de investigadores da Universidade da Carolina do Norte, Estados Unidos, liderada por Kevin Weeks, desenvolveu uma técnica que permite descodificar, pela primeira vez, todo o mapa genético do vírus HIV – o vírus que causa a Sida.


A leitura da arquitectura interna do vírus foi possível graças a uma nova tecnologia – «Shape» (de selective2’-hydroxyl acylation analysed by primer extension) –, estruturada pelos próprios cientistas norte-americanos. O «Shape» forma não só uma imagem dos nucleotídeos do RNA, onde se integra toda a informação genómica, onde comungam várias estruturas com um papel importante no ciclo vital da patologia, como mostra ainda as dobras das pequenas tiras do RNA. O estudo foi publicado na última edição da revista «Nature».

A grande inovação desenvolvida pela equipa de Weeks foi a criação de um novo método químico que permite obter uma imagem completa do mapa genético do vírus, quando até aqui apenas se conseguia observar uma pequena área de cada vez.
«A técnica é parecida com a acção de reduzir o zoom de um mapa e obter uma visão mais ampla da paisagem, se bem que à custa dos detalhes», escreveu Hashim Al Hashimi, da Universidade de Michigan, citado pela revista científica «Nature».

Os investigadores acreditam que este avanço permitirá compreender as estratégias usadas pelo HIV na sua replicação e infecção do organismo humano e poderá ainda ajudar a abrir caminhos para novos tratamentos. Segundo a equipa da Universidade da Carolina do Norte, a técnica pode conduzir ao desenvolvimento de novos fármacos e terapias não só para a Sida, mas também contra outros vírus, como os das gripes.

Diferenciando-se de outros organismos, o HIV é semelhante ao vírus Influenza (gripe) ou ao da Hepatite C, ou seja, integra a informação genética no RNA-vírus e não no DNA, como acontece nos seres humanos, nos animais e nas plantas.


HIV-Credit: MEDICAL RF.COM / SCIENCE PHOTO LIRARY)

Isto torna muito mais difícil a descodificação porque ao contrário do DNA o RNA é capaz de se enrolar sobre si mesmo originando complexos padrões tridimensionais.
Estudos anteriores mostraram no modelo pequenas regiões do genoma do HIV consistindo em duas cadeias cada uma contendo 10.000 nucleótidos, os blocos de construção de ambas as moléculas do DNA e RNA. Com esta nova técnica, Kevin Weeks e colaboradores esperam descobrir de que maneira o genoma do RNA determina o ciclo de vida do vírus HIV. Modificando sequências do RNA e vendo o que acontece ao nível do vírus..., Se ele não se replicar como é de esperar, quando sujeito a mutações, então saberemos que a mutação causada afectou alguma parte importante para o vírus," afirmou Ronald Swanstrom, microbiologista da UNC e co-autor do estudo.

Desde que a sida foi noticiada em 1981, já matou pelo menos 25 milhões de pessoas e 33 milhões de outras vivem com a doença provocada pelo virus HIV, que destrói as células imunitárias e expõe o corpo a doenças oportunistas.

Assim esta descoberta é de crucial importância na medida que "A curto prazo, a descoberta quase de certeza que vai tornar mais fácil desenvolver medicamentos para lidar com os RNA". E a tão esperada vacina para a sida.
Notícia lida em

http://www.biotec-zone.net/?do=vernoticia&id=547

e também em

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=33911&op=all

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dança em oito alerta abelhas do perigo escondido em pétalas

As abelhas Apis mellifera são o exemplo do comportamento mais fascinante em insectos.

Imagem abelha recolhendo néctar e pólen aqui

Como outros insectos sociais, as abelhas vivem em sociedades, onde a sobrevivência é assegurada através de cooperação e divisão de trabalho.

Pode parecer disparate afirmar isto, mas a dança das abelhas é um método bastante sofisticado de comunicação.

No post "A linguagem da dança das abelhas", em 30 de Junho foi referido que a dança das abelhas informa as outras abelhas da colmeia, sobre a direcção e a distância das flores, que contém a fonte de alimento.

Agora um novo estudo, de Kevin Abbott e Reuven Dukasof, da McMaster University in Hamilton, Ontário, Canada trazem evidências de que a dança em oito pode ter mais funções. O estudo publicado no artigo "Honeybees consider flower danger in their waggle dance", na revista Animal Behaviour, é o resultado do trabalho destes investigadores.
Nesta investigação, começaram por treinar abelhas para visitar duas flores artificiais contendo a mesma quantidade e concentração de comida.
De seguida deixaram uma das flores inalterada, sendo esta uma fonte segura de alimento para as abelhas. Na outra flor colocaram dois corpos de abelhas mortas, visíveis aos insectos que viessem de encontro à flor e de modo a não interferirem com a fuga destes últimos.

Os cientistas registaram, se e como as abelhas realizavam a dança em oito para as outras abelhas da colónia, quando regressavam à colmeia.
Constataram que, em média, as abelhas que regressaram da flor segura realizaram 20 a 30 vezes mais a a dança do que as abelhas que regressavam da flor perigosa.
Assim, eles interpretaram que as abelhas reconhecem que certas flores acarretam um maior risco de lhes causar morte ou de serem comida para predadores, tais como aranhas que surpreendem muitas vezes as abelhas que visitam as flores. O mais interessante desta investigação é que as abelhas avisam as suas parceiras da colónia sobre a possibilidade de perigo.

Fontes da notícia:


e BBC

Stress crónico pode afectar tomada de decisões no dia a dia

Stress crónico promove a dependência da rotina
Estudo de investigadores portugueses saiu hoje em artigo, publicado na revista «Science»

Imagem daqui

Um grupo de investigadores portugueses publica hoje um estudo na revista «Science» sobre como o stress crónico pode afectar a tomada de decisões no quotidiano. Sob stress o indivíduo tem uma maior tendência “para se orientar por hábitos em vez de executar acções por objectivos”, explicou ao «Ciência Hoje» Rui Costa, investigador do Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud do Instituto Gulbenkian de Ciência. A equipa de investigadores foi coordenada por Rui Costa e Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho. Rui Costa explica que o ponto de partida deste estudo surgiu de uma conversa com Nuno Sousa: “Eu fazia parte de um grupo de estudo que há muito se debruçava sobre as acções intencionais e os hábitos. Nuno Sousa estudava os efeitos do stress crónico no cérebro”. Durante os dois anos em que se realizou o estudo, os investigadores chegaram à conclusão de que “o stress crónico causa mudanças estruturais no cérebro”. Os neurónios ficam com atrofia na zona do córtex pré-frontal, e hipertrofia nos circuitos responsável pelos hábitos (no estriado dorsolateral). “Isto não acontece apenas durante o período de stress, mas também depois”, diz. Nesta situação, “uma pessoa em vez que executar acções tendo em vista determinado objectivo fica mais dependente dos hábitos”. Para o investigador, isto é “bom e mau”. Bom porque o cérebro utiliza “estratégias automáticas para evitar o colapso”, ou seja, “é uma resposta adaptativa ao stress”. É mau “quando se tem de tomar uma decisão e fazer adaptações constantes”. Rui Costa dá um exemplo: “Alguém sob stress crónico tem de ir fazer compras depois do trabalho. Pega no carro mas em vez de passar pelo supermercado segue a rotina e dirige-se para casa”. O hábito aqui prevalece sobre um objectivo específico.
Já tinham sido feitos estudos sobre os efeitos do stress a nível emocional e de memória. No entanto, este estudo aborda a questão de outra forma.“O hábito é memória e a acção intencional também recorre à memória. O que se passa aqui é que pode haver uma competição entre memórias. Mas não é um problema de memória”. Pela sua qualidade técnica, pertinência científica, multidisciplinaridade e aplicação em várias áreas, a prestigiada revista «Science», publicação semanal da AAAS (American Association for the Advancement of Science), decidiu publicar o estudo. Este pode ter impacto na etiologia de várias patologias neurológicas e psiquiátricas, nomeadamente pertubações obsessivo-compulsivas e comportamentos viciantes. A equipa foi constituída por sete elementos que pertencem ao Domínio de Investigação em Neurociências do ICVS, sendo o primeiro autor Eduardo Dias-Ferreira, um aluno de doutoramento que está agora a continuar o estudo com Rui Costa.

Artigo: Chronic Stress Causes Frontostriatal Reorganization and Affects Decision-Making, por E. Dias-Ferreira; J.C. Sousa; I. Melo; P. Morgado; A.R. Mesquita; J.J. Cerqueira; N. Sousa da Universidade do Minho em Braga, Portugal; E. Dias-Ferreira; R.M. Costa do National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, National Institutes of Health em Bethesda, MD, EUA; E. Dias-Ferreira da Universidade de Coimbra em Coimbra, Portugal; R.M. Costa do Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud do Instituto Gulbenkian de Ciência em em Oeiras, Portugal.
site original:

http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/325/5940/621:

Notícia retirada de cienciahoje.com