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quinta-feira, 18 de março de 2010

Bactérias abrem portas a nova técnica de identificação forense

Bactérias das mãos desvendam identidade de cada indivíduo
Técnica pode ser útil para a ciência forense

Nas nossas mãos vivem centenas de espécies de bactérias.
As bactérias são uma espécie de sinal capaz de desvendar a identidade de uma pessoa graças ao seu rastro, segundo um estudo de biólogos e bioquímicos norte-americanos. O trabalho, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, abre a porta ao desenvolvimento de uma nova técnica de identificação forense.“Cada um de nós deixa um rastro único de bactérias enquanto realizamos as nossas tarefas diárias”, afirmou Noah Fierer, autor principal do estudo da Universidade de Colorado-Boulde.Segundo o biólogo, enquanto a técnica está na sua fase preliminar, “eventualmente pode converter-se num valioso elemento, na caixa de ferramentas dos cientistas forenses”.
Já se conhecia a grande diversidade de micróbios que vivem nas mãos dos seres humanos − na pele, vivem centenas de espécies − “a novidade principal foi demonstrar que essas diferenças poderiam utilizar-se para identificar os objectos tocados pelas pessoas graças aos micróbios que deixavam”, explicou outro dos autores do estudo, Rob Knight. Segundo Fierer, a nova técnica, baseada na sequenciação genética, tem uma precisão de 70 a 90 por cento, uma percentagem que provavelmente aumentará quando se conseguir aperfeiçoar o método.
A equipa de investigadores recolheu amostras de ADN bacteriano das teclas de três computadores pessoais e misturou-as com as bactérias das mãos dos seus proprietários, para posteriormente compará-las com recolhas de outros teclados que nunca tinham sido tocados pelos sujeitos iniciais. A similitude foi muito maior entre as bactérias dos indivíduos e das dos seus computadores. Esta prova também funcionou 12 horas após os computares terem sido tocados pela última vez.
Rastro de bactérias nos objectos pode identificar pessoas. Numa outra experiência, os investigadores recolheram amostras de pele de dois indivíduos, congelaram uma delas a menos de 20 graus centígrados e deixaram a outra à temperatura ambiente durante duas semanas. Com isto provaram que as colónias de bactérias não sofreram alterações em nenhum dos casos, o que demonstra o valor dos micróbios para a medicina forense.Esta técnica pode ainda ser importante para a medicina legal quando é difícil obter DNA humano ou não existirem rastros de sangue, tecido, sémen ou saliva num objecto. Segundo Fierer, “devido à abundância das células bacterianas na superfície da pele poderia ser mais fácil recolher DNA bacteriano do que DNA humano das superfícies tocadas”.

Fonte da notícia: cienciahoje.pt

sábado, 7 de novembro de 2009

Primeiro Atlas das bactérias do corpo humano

Bacterias vulgarmente encontradas na pele humana – Staphylococcus aureus, E. Coli, Proteus mirabilis, and others – blossoms into full-blown handprint on a culture medium. Photo Source: Exploring The Human Body: Incredible Voyage.The Book Division National Geographic Society, Washington D.C. 199 .
Muitos de vocês já alguma vez perguntaram – Quantas bactérias existirão no organismo humano? O número de micróbios que existem em teu corpo ronda os 100 triliões, muitos deles associados a funções fisiológicas básicas, tais como o bom funcionamento do sistema imunitário, a digestão e até a eliminação de agentes patogénicos.
Também todos sabemos que apesar do genoma humano variar muito pouco de um ser humano para outro, o teu organismo está exposto a situações muito diferentes das do meu, e por isso as bactérias se organizam de forma diferente. Partindo desta premissa, microbiólogos da Universidad de Colorado em Boulder empreenderam uma ambiciosa tarefa: desenhar o primeiro atlas de bactérias do corpo humano. As organizam-se de formas diferentes de um ser humano a outro e para prová-lo os investigadores tiraram amostras do corpo de 51 voluntários, das axilas, do cabelo, do canal do ouvido, das mãos, dos dedos, da parte de trás dos joelhos, da boca, etc. De uma forma surpreendente, os investigadores encontraram diferenças notáveis na concentração de de um individuo para outro, com diferenças muito relevantes na mesma zona do organismo. Por exemplo, as regiões com menores diferenças foram os pés, a cabeça e a boca, enquanto que os joelhos e o tronco apresentavam as maiores diferenças.
As diferenças levantam questões, como por exemplo se temos marcas microbianas diferentes desde o nascimento, ou se estas evoluíram à medida que fomos crescendo. De facto, dos 4200 tipos de reveladas pelos investigadores, só cinco eram compartilhadas por todos os participantes no estudo.
Apesar de ser necessária uma investigação mais aprofundada conhecendo-se o padrão de variabilidade de um individuo para outro, será possivel desenvolver estratégias para identificar regioes do onde transplantes de microbios específicos possam melhorar a saúde.

domingo, 13 de setembro de 2009

Descoberto método para vencer resistência de bactérias aos antibióticos

Imagem de Scanning electron micrograph (SEM) shows a strain of Staphylococcus aureus bacteria taken from a vancomycin intermediate resistant culture (VISA). (Credit: Janice Haney Carr) retirada de http://www.sciencedaily.com/releases/2009/05/090527170308.htm

Uma equipa de investigadores da Universidade de Nova York (Estados Unidos) descobriu um mecanismo que pode ser capaz de reduzir a toxicidade e aumentar a eficácia dos antibióticos em doses baixas em algumas bactérias resistentes como staphylococcus aureus ou o anthrax.
Concretamente, a investigação descobriu que o óxido nítrico presente no organismo é o responsável por criar certas resistências nestas bactérias, de modo a poderem defender- se do stress oxidativo que os antibióticos lhes causam e neutralizar o efeito de muitos dos seus componentes antibacterianos.
Segundo os cientistas, inibir o efeito do óxido nítrico acabaria com muitas bactérias que criaram resistências aos fármacos e permitiria a utilização de antibióticos em doses mais baixas que seriam mais efectivas e menos tóxicas para o nosso organismo.
Sabe-se que o óxido nítrico está presente em diversos gases tóxicos e na poluição do ar e também diversos estudos demonstraram a sua participação em diferentes reacções fisiológicas como a aprendizagem e a memória, a pressão arterial ou a disfunção eréctil.
Todavia, até agora não se tinha demonstrado a sua participação na criação de resistências bacterianas aos antibióticos. Com base nisto os autores do estudo propõem o uso de enzimas inibidoras do óxido nítrico e já comercializadas, para tornar as bactérias como os estafilococos e o antrax mais sensíveis aos antibióticos.
"O desenvolvimento de novos fármacos para combater bactérias resistentes não é viável devido ao elevado custo e aos inúmeros efeitos adversos que surgem no organismo durante o tratamento da infecção" explicou , Evgeny A. Nudler, autor do estudo.
Em contrapartida, "inibindo a acção do óxido nítrico ganhamos a batalha na luta contra as bactérias já que não temos que inventar novos antibióticos, apenas é preciso melhorar a sua actividade, inclusive em doses baixas", referiu Nudler.
Fonte da notícia aqui e também aqui

sábado, 6 de junho de 2009

A nossa pele é um” país das maravilhas”… para bactérias


Na tua opinião em que zonas da pele podem ser encontradas as comunidades de bactérias mais diversificadas? A resposta certa não é nem nos sovacos nem na zona da barriga.




De acordo com um estudo cientifico o ponto forte da diversidade de bactérias na nossa pele é o antebraço. E as surpresas não ficam por aqui.
O número de bactérias que vive dentro do nosso corpo e na fronteira do mesmo existe na proporção de 10 para cada célula, mas só agora os cientistas iniciaram a lista dos residentes que habitam a nossa pele. Graças a técnicas de sequência genética os cientistas conseguiram identificar uma grande variedade de bactérias na pele humana (Science, 23 de Maio, 2008, pág.1001). Mas até essa data ainda mingúem tinha comparado colónias de bactérias de diferentes zonas da pele do corpo humano.



Em Bethesda, Maryland, USA, o National Human Genome Research Institute (NHGRI) efectuou um estudo Pesquisa efectuou um estudo em voluntários . Estes utilizaram sabonete para peles sensíveis durante uma semana. Posteriormente e após 24 horas sem se lavarem, os voluntários regressaram ao laboratório, onde foi feita a recolha de amostras em 20 diferentes zonas do corpo, desde as narinas até ao umbigo, zona preferidas pelos amantes dos jeans de cós descido.
A equipa analisou o RNA das bactérias das amostras recolhidas e classificou-as com base nos seus genomas.

Os cientistas descobriram cerca de 1000 espécies, que se repetiam nas várias pessoas.Provou-se que temos habitantes iguais nas narinas e nas costas. O total de microrganismos sugere que a nossa pele é tão diversificada como os nossos intestinos que dão guarida a um elevado número de bactérias – entre 500 a 1000 espécies.
A equipa registou grandes diferenças . Ao contrário do que os adolescentes com acne poderiam pensar, as zonas oleosas como a testa e o couro cabeludo são menos variáveis em biodiversidade que zonas secas como o antebraço. A zona mais estéril registou-se atrás das orelhas, com uma média de 15 espécies. Pelo contrário na zona do antebraço foram encontradas 44 espécies. Através de exame repetido nos voluntários meses depois
verificou-se poucas alterações nas bactérias.
A razão da diferença em bactérias nas diferentes zonas ainda é desconhecida. Pode ter a ver com as propriedades da pele, como a oleosidade ou a presença de pêlos, com a exposição às bactérias ou com uma mistura das duas razões.

No que se refere ao antebraço, a geneticista e co-autora do trabalho Júlia Segre sugere que aquela zona exposta dos braços é um bom local para as bactérias. Pois ao contrário do que se passa com as mãos, poucas vezes lavamos os antebraços. Qualquer que seja a razão as pesquisa mostram que a localização é um factor importante. Fica no entanto provado que a pele é um ecossistema que alberga bactérias que não são homogéneas.
A pesquisa “ pode ser uma contribuição para explicar a razão porque certas doenças da pele aparecem numas zonas do corpo e não noutras” afirma o dermatologista Richard Gallo da Universidade da Califórnia, San Diego.

O passo seguinte, segundo Segre, será investigara relação entre os mini ecossistemas bacterianos e doenças como o eczema e a psoríase.
Site original da notícia: