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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Moscas-da-fruta "nadam no ar" dizem os Fisicos

Descoberta de Fisicos pode inspirar novos projectos de carros voadores



Foto Biol. Linda B. Muñoz Martínez
http://bancodemoscas.fciencias.unam.mx/Imagenes/Drosophila.jpg

As moscas-da-fruta não voam, mas nadam no ar.
“Um estudo sobre o voo da mosca da fruta, publicado na “Physical Review Letters” , revelou que a forma de voar destes insectos não tem “praticamente nada a ver” com o “modo padrão” deste movimento, em que as asas são flexionadas na vertical, de baixo para cima e vice-versa.
Os investigadores constataram que as suas asas movem-se na horizontal, num movimento que se assemelha muito mais ao nado de animais aquáticos, sendo esta a primeira demonstração de voadores que usam o arrasto para gerar propulsão.
(…)
Esta descoberta, para além de ser uma nova inspiração para projectos de veículos voadores, pode também ter impacto sobre a teoria da evolução. Alguns biólogos já tinham levantado a possibilidade de que alguns animais aquáticos poderiam ter evoluído para animais voadores directamente, sem precisar passar pela etapa terrestre. (…)
Até agora, ninguém tinha conseguido apresentar provas da conversão de um nado num voo, o que se julgava serem coisas absolutamente distintas. Esta nova investigação, segundo os seus autores, dá algum crédito a esta hipótese, mostrando que, pelo menos no caso da mosca-da-fruta, "nadar no ar" é um facto.

Podem ler o artigo completo, aqui, aqui. e no Physical Review Letters

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pobre Phoca vitulina, a foca comum europeia, tão contaminada

A contaminação das águas costeiras europeias está a afectar as focas.


Estas especies são usadas como biomonitores da contaminação global.
Uma investigação realizada por cientistas europeus verificou que a foca-comum (Phoca vitulina) que vive em estuários ou noutros locais perto da costa onde haja indústria apresenta elevados níveis de contaminação no seu organismo.

A equipa de investigação descobriu que uma população de focas Phoca vitulina que vive no estuário do rio Elba, na Alemanha, está exposta a maiores níveis de contaminação relativamente a outros animais que não vivem perto da costa. As actividades industriais e de dragagem tornam este rio num dos maiores agentes contaminantes das águas alemãs do Mar do Norte.

Existe uma grande comunidade de focas na Europa, especialmente concentradas na Escócia, países da Escandinávia e no Mediterrâneo onde vivem as focas-monge (Monachus monachus). Esta espécie que está em grande perigo de extinção também vive na Madeira.

“O que acontece com as focas ocorre com outras espécies que partilham o mesmo ecossistema,” refere Perez Luzardo, cientista da Universidade de Las Palmas que integrou o estudo. “Este tipo de estudos, repetidos com frequência, são importantes porque permitem verificar a eficácia das políticas que estão a ser desenvolvidas para prevenir a contaminação química.”

Para realizar este estudo os especialistas mediram a concentração de poluentes orgânicos persistentes (POP), muitos deles proibidos há mais de 30 anos, mas que ainda persistem na água devido à sua grande resistência.

Estes mamíferos marinhos apresentam concentrações elevadas de vários metais e de contaminantes orgânicos clorados provenientes do rio Elba. As focas mostraram também níveis elevados de gama-globulinas e anticorpos (mediadores do sistema imunitário) comparados com outros animais que não vivem no estuário. Estes resultados sugerem que nesta zona existe uma grande concentração de agentes patogénicos que podem causar doenças.

Actualmente os investigadores analisam de que forma este tipo de contaminação afecta os seres humanos e outras espécies animais, como as tartarugas marinhas das Canárias e Cabo Verde.
Imagem daqui

quinta-feira, 10 de março de 2011

Elefantes aprendem rápido a trabalhar em equipa, para resolução de problemas.

Rapidez dos elefantes a resolver problemas em equipa deixa investigadores surpreendidos.
Os elefantes são famosos pelas suas proezas de memória extraordinária. Agora, um novo estudo demonstrou que os elefantes são igualmente bons a trabalhar em equipa e aprendem depressa a resolver problemas.

Investigadores da Universidade britânica de Cambridge concluíram que os elefantes são tão rápidos quanto os chimpanzés a trabalhar em equipa para resolver um problema, segundo um artigo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Joshua Plotnik, líder deste estudo, referiu que os elefantes "ajudam-se uns aos outros nos seus problemas" e parecem, em algumas situações, "muito ligados emocionalmente", sendo, por isso, "de esperar que existisse algum nível de cooperação e entre-ajuda" entre eles. No entanto, "a rapidez com que aprendem" a cooperar para resolver um problema deixou-o "admirado".
De acordo com o investigador do departamento de psicologia experimental da Universidade de Cambridge, os elefantes são tão rápidos quanto os chimpanzés a aprender, em conjunto, a resolver um problema.

Os testes que levaram a esta conclusão foram feitos na Tailândia e envolveram seis pares de elefantes que tinham de alcançar uma plataforma com comida, puxando, em conjunto, uma corda para trazer os alimentos até uma cerca, atrás da qual se encontravam.

Os elefantes foram testados 40 vezes durante dois dias e cada par descobriu como trazer a comida até si, nunca depois da oitava tentativa.

Numa segunda fase, os cientistas tentaram separar os elefantes. Os animais rapidamente aprenderam a esperar pelos seus parceiros, numa taxa de sucesso entre 88 e 97 por cento.
Vê o Video aqui

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Molusco sua adaptação a acidez pode dar pistas para o futuro dos sistemas marinhos


Novo molusco dá pistas sobre futuro dos sistemas marinhos
"Polyconites Hadriani" descoberto em Portugal e Espanha

"Polyconites Hadriani' (Foto: Eulàlia Gili)

A ciência tem agora novas pistas sobre a evolução dos sistemas marinhos modernos graças à descoberta de uma nova espécie de molusco - o 'Polyconites Hadriani', que foi encontrado em várias zonas da Península Ibérica e que ao longo da sua existência adaptou-se à acidificação dos oceanos.

Segundo o estudo publicado no "Turkish Journal of Earth Sciences" , os investigadores consideraram este invertebrado o mais antigo do género 'Polyconites', da família 'Polyconitidae', um tipo de molusco marinho já extinto. Pensava-se que o mais antigo deste ramo era o 'Polyconites verneuili', que existe na Espanha e na Turquia.

Eulàlia Gili, da Universidade Autónoma de Barcelona e uma das autoras do estudo, diz que ambos são semelhantes na forma. Contudo, o recém-descoberto é mais pequeno, visto que tem menos três centímetros de diâmetro, e a espessura da sua concha também é três milímetros menor.
A nova espécie foi encontrada em bacias espanholas e portuguesas, onde crescem em agregados densos nas margens das plataformas marinhas de carbonato há 114 milhões de anos, destacou a investigadora.
Adaptação aos "novos" oceanos

Este molusco surgiu no Aptiano Inferior, época compreendida entre 125 milhões e 112 milhões de anos atrás que correspondeu a um período turbulento e de grandes mudanças climáticas. O 'Polyconites Hadriani' viveu assim o primeiro momento anóxico oceânico do Cretáceo (entre 135 e 65 milhões de anos atrás). A anoxia consistiu na ausência de oxigénio no fundo do mar, que provocou o enterro massivo de carbono orgânico e o arrefecimento do clima.

O facto de a concha desta nova espécie ser mais grossa do que a do seu antecessor, do género 'Horiopleura', pode estar relacionado com a adaptação a águas mais frias e com mais acidez, devido ao aumento da solubilidade do dióxido de carbono atmosférico, explicou a geóloga.

Na sua opinião, "a resposta destes moluscos à acidificação dos oceanos pode ser aplicada à futura evolução dos actuais sistemas marinhos, nomeadamente para os organismos cujas conchas ou esqueletos são formados por carbonato de cálcio".

notícia lida em cienciahoje.pt

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Popeye tinha razão! Afinal os espinafres fortalecem os músculos



O estudo foi realizado na Suécia. O Popeye tinha razão quando dizia que a sua força provinha dos espinafres. O famoso marinheiro, sempre que queria fortalecer os músculos, “engolia” uma lata desta hortaliça, ficando de imediato com os seus bíceps sobrevalorizados, sendo um exemplo a imitar pelos meninos de todo o mundo.

Apesar do efeito não ser instantâneo, como acontecia com a personagem criada em 1929, o estudo publicado na revista "Cell Metabolism" revela que comer um prato de espinafres todos os dias aumenta a eficiência muscular.

Segundo o artigo, que faz capa da publicação científica, o consumo de 300 gramas de espinafres reduz em cinco por cento a quantidade de oxigénio necessária para o funcionamento dos músculos quando se faz exercício físico.
O segredo dos músculos fortes não está no ferro, embora este exista em grande quantidade nos espinafres, mas nos nitratos, que chegam com mais eficiência às mitocôndrias, organitos que produzem a energia nas células. "É como se puséssemos combustível nos músculos. O espinafre faz com que funcionem com muito mais suavidade e eficácia", afirma o autor do estudo, Eddie Weitzberg, do Instituto Karolinska, de Estocolmo.

Ao longo de três dias, o investigador deu a um grupo de voluntários suplementos puros de nitrato numa quantidade equivalente à de um prato de espinafres.

Antes e depois desta dieta, os voluntários pedalaram numa bicicleta ergométrica enquanto o consumo de oxigénio era medido, tendo-se verificado que foi entre três e cinco por cento menor no final. "É um efeito profundo e significativo. Demonstra que afinal o Popeye tinha razão", comentou o especialista.
É de salientar ainda que os espinafres são muito importantes na alimentação pois aportam muitos outros nutrientes, tais como magnésio e vitamina C. Também facilita o trânsito intestinal, sendo ideal para atletas e pessoas que desejem perder peso sem deixar de nutrir-se adequadamente.

Notícia lida em cienciahoje.pt e ojo cientifico.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Os Tubarões vêem o mundo a preto e branco

Australianos descobrem que tubarões são daltónicos
Ataques podem agora ser mais fáceis de evitar
Uma equipa de investigadores australianos das universidades de Queensland e de Western Australia descobriu que apesar de gozar de uma excelente visão, o maior predador dos oceanos não distingue as cores.

Esta investigação descobriu que os olhos de algumas espécies de tubarão têm apenas células sensíveis à luz (denominadas por cones e que permitem distinguir as cores). Os seres humanos têm nas retinas três tipos distintos de cones, através dos quais é possível distinguir o azul, o verde e o vermelho. Isso permite que a maioria das pessoas consiga detectar uma ampla gama de cores.
A descoberta pode ser útil para o desenvolvimento futuro de pranchas e roupas menos atractivas para os tubarões, o que poderia ajudar a evitar alguns ataques a seres humanos, assim como desenhar redes de pesca que evitem caçar estes animais por engano, assinala Nathan Scott Hart, autor do estudo publicado na revista científica "Naturwissenschaften" .

"Enquanto algumas espécies marinhas vêm as cores, há grandes grupos que aparentemente não são capazes de as distinguir. As baleias, os golfinhos e as focas, assim como os tubarões, têm apenas um cone nas suas retinas e, portanto, são potencialmente incapazes de distinguir as cores ", explica o cientista Hart.

Para realizar esta investigação, os cientistas examinaram as retinas de 17 espécies de tubarões das águas de Queensland e da Austrália ocidental. Dessas dez espécies não tinham nenhum cone. As outras sete espécies têm cones, mas apenas de uma classe, portanto, sensíveis a um comprimento de onda e capazes de distinguir apenas uma cor. A equipa de investigadores sugere, que se as retinas dos tubarões não conseguem distinguir diferentes comprimentos de onda, provavelmente não conseguem distinguir as cores.

Entre as espécies estudadas estão o Carcharhinus limbatus, Carcharhinus obscurus, Carcharhinus cautus, Rhizoprionodon taylori, Carcharhinus Sorrah, Galeocerdo cuvier, Orectolobus maculatus e Orectolobus ornatus.

"É muito cedo para determinar o tipo de roupa que poderia minimizar as possibilidades de um ataque porque depende do número de espécies de tubarão que tem estas características", explica Hart. "Mas agora sabemos a que partes do espectro visível são os tubarões mais sensíveis e podemos iniciar os testes para determinar um objecto que tem um contraste alto ou baixo e depois utilizá-lo no teste comportamental para ver se os animais são atraídos por aqueles que têm um alto ou baixo contraste."
Dados estatísticos da organização International Shark Attack File revelam que grande parte dos ataques de tubarões envolvem mergulhadores e surfistas que usavam roupas de cores escuras.

O investigador australiano acrescentou ainda que a visão dos tubarões é semelhante à de alguns mamíferos aquáticos, como baleias, golfinhos ou focas. “Podem ter chegado à mesma concepção visual por evolução convergente, isto é, adquiriram as mesmas características biológicas, mas em linhagens independentes”, sugeriu.
Fonte: http://www.elmundo.es/

domingo, 9 de janeiro de 2011

Calvície Masculina a descoberto...

Calvície dos homens pode ter dias contados
Cientistas norte-americanos acreditam ter descoberto a causa da queda de cabelo nos homens

Em muitos homens, as entradas começam a aparecer antes de completarem 30 anos e avançam ao longo das décadas até restar pouco mais do que um tufo no cimo da cabeça e uma área de cabelo na parte de trás.
Especialistas americanos acreditam ter encontrado a causa para a calvície nos homens. Para uma equipe de cientistas da Universidade da Pennsylvania, o problema não está apenas nos cabelos que caem, mas também nos novos, que nascem doentes. O estudo, citado pela BBC, foi divulgado pela revista especializada «Journal of Clinical Investigation».
A equipa de cientistas analisou um grupo de homens que passaram por transplantes capilares, comparando os folículos capilares em áreas de calvície e em áreas com cabelo. Embora as zonas “carecas” apresentassem o mesmo número de células estaminais responsáveis pelos fios que as áreas normais do couro cabeludo, estas células eram menos maduras. Esta diferença significa que os folículos capilares em áreas de calvície encolhem, mas não desaparecem, pelo que os novos fios de cabelo produzidos são microscópicos comparados com os normais.

"Isto sugere que existe um problema na activação de células estaminais, convertendo as células progenitoras em couro cabeludo careca", afirmou George Cotsarelis, que liderou a investigação, acrescentando que “o facto de haver números normais de células estaminais no couro cabeludo calvo traz a esperança de que é possível reactivá-las".
Na verdade, os novos cabelos são tão frágeis e minúsculos que se tornam invisíveis a olho nu. Esta é a causa para as carecas, mesmo para as mais charmosas, ou para as entradas.
A causa para a fragilidade dos novos fios capilares está nas células estaminais que dão origem a esses mesmos fios de cabelo. Esta descoberta pode abrir caminho à cura da calvicie e os investigadores esperam desenvolver um creme para aplicar no couro cabeludo e ajudar as células estaminais a produzir fios de cabelo normais.
Fonte da notícia: BBC

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Como os leopardos adquiriram as suas manchas, a Matemática explica.

Padrão do pêlo de leopardos que passam mais tempo em árvores é irregular
Uma vez mais a matemática apresenta-nos uma explicação para fenómenos da natureza.
Um estudo da Universidade de Bristol (Reino Unido) explica que o pêlo dos felinos evolui rapidamente, para os ajudar a camuflarem-se no seu habitat. Nos resultados, publicados na Proceedings of the Royal Society B, os investigadores mostram que, através da análise de 35 espécies diferentes, obtiveram um modelo matemático de desenvolvimento de padrões que determinam a aparência final.
Através dos modelos matemáticos relacionou-se a complexidade dos padrões da pelagem dos felinos com o habitat utilizado por estes.
Segundo um dos autores, William Allen, o padrão revela-se particularmente irregular nos leopardos que têm vida nocturna e que passam mais tempo nas árvores do que no solo. No entanto, o guepardo ou chita mantem as manchas, apesar da sua preferência por espaços abertos.
Apenas os tigres têm raios verticais e alargadas durante os seus passeios por pastos onde habitam. Os leões usufruem orgulhosamente de manchas laterais. Os especialistas da área, antes destes avanços, acreditavam que os felinos usavam as suas cores para atraírem o sexo oposto.

O estudo da equipa de Allen descarta essa teoria: “se existisse um motivo sexual, tanto os machos como as fêmeas teriam diferentes padrões e isso não se verifica”. Os investigadores britânicos refutam ainda a teoria de que as manchas possam representar estatutos ou funções sociais de determinado indivíduo no grupo.

Allen revela que o título do estudo, «Como os leopardos obtêm as suas manchas» foi inspirado na história homónima de Rudyard Kipling – que conta como é que estes animais deixam a marca negra das suas impressões digitais na pelagem lisa de outros exemplares, após se encontrarem com eles. “Pode aparecer ligeiramente borratada, mas se nos aproximarmos vêem-se cinco marcas”, escreveu.
Os investigadores concluíram que as espécies de felinos mais adaptadas às árvores e com actividade nocturna apresentam os padrões mais complexos e irregulares. A origem destes padrões depende do habitat e da forma como a espécie utiliza esse habitat, proporcionando uma camuflagem essencial para sua sobrevivência.
No caso dos leopardos, o distinto padrão que apresentam ter-se-á desenvolvido nas florestas, um habitat mais complexo, que terá induzido ao desenvolvimento de um padrão mais complexo. A relação apurada foi neste trabalho estabelecida através de modelos matemáticos que demonstram a relação das complexidades dos padrões e que se terá desenvolvido por mecanismos genéticos normais.

Notícia lida em Ciencia.hoje.pt e em http://naturlink.sapo.pt

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Na hora de escolher casa nova, as abelhas fazem-no com democracia

O que podemos nós aprender com as abelhas?

Segundo o investigador em neurobiologia comportamental, Thomas Seeley, as abelhas do mel (Apis Mellifera) tomam decisões através de um processo democrático quando fazem escolhas “de vida ou morte” e se mudam para uma nova colmeia. Seeley explica o comportamento destes insectos no seu recente livro «Democracia da abelha do mel» (Honeybee Democracy).

Imagem de uma cela em forma de amendoím onde a rainha é criada - From the book "Honeybee Democracy" by Thomas D. Seeley.
Quando a colmeia começa a ficar superlotada, dois terços das abelhas operárias juntamente com a rainha abandonam-na e partem à procura de uma nova casa. O Doutor Selley e colegas estudaram meticulosamente todo o processo de tomada de decisão pelas abelhas no momento de escolherem a nova casa. As observações revelaram que centenas de abelhas obreiras partem à procura e descobrem entre 10 a 20 potenciais locais em árvores ocas. De seguida, regressam para junto da colmeia e anunciam às companheiras cada lugar, com uma dança.
“ As abelhas que assistem à dança conseguem apreciar e avaliar os benefícios da provável nova casa segundo o tempo de dança que lhe é dedicado”, revela Seeley, acrescentando que “ elas têm uma espécie de capacidade incorporada para julgar a qualidade de cada local. E são honestas, se o local for medíocre, não o anunciarão tão intensamente”.

Entretanto, outras abelhas inspeccionam os sítios assinalados e regressam para dançar para as primeiras. O melhor local é eleito através da dança mais vigorosa e a sua popularidade vai aumentando. Assim, a nova casa é escolhida quando o novo local atinge o limiar crítico.

O processo de tomada de decisão da abelha é semelhante ao funcionamento dos neurónios do cérebro dos primatas, revela ainda Seeley. Em ambas, comunidades e cérebros, nenhum trabalha de forma individual, sejam estes primatas, abelhas ou neurónios e fornecem informações diferentes ao grupo. Também as formigas se organizam através de decisões colectivas. “Os princípios gerais de organização levam à consistência destas decisões”, escreve o autor no livro.

Seeley acredita que os seres humanos podem aprender muito sobre o processo de tomar decisões por vias democráticas observando as abelhas, porque a partir do momento que existem interesses comuns, uma escolha colectiva pode assegurar a melhor opção, já que existem membros diferentes e um líder imparcial.

site da noticia:

http://www.sciencedaily.com/releases/2010/09/100928153151.htm

imagens retiradas de

http://www.nytimes.com/2010/09/28/science/28scibks.html

sábado, 18 de setembro de 2010

Morcegos também desenvolvem "sotaques" diferentes.


Morcego da espécie Scoteanax rueppellii

morcego da espécie Scotorepens balstoni

Não são apenas os humanos que têm sotaques diferentes. Segundo cientistas australianos, os morcegos desenvolvem dialectos de acordo com o local onde vivem. Este curioso dado pode vir a ajudar na identificação e protecção das espécies.
Brad Law, investigador do Centro de Ciência Florestal, uma unidade da empresa Industry & Investment NSW, e das universidades de Wollongong e de Ballarat, descobriu que os morcegos de florestas a leste do estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, emitiam sons distintos.

Law afirma que alguns cientistas já suspeitavam que os morcegos podiam emitir “sons regionais”, mas esta foi a primeira vez que a tese foi comprovada em experiências no campo.
O investigador explica que foram usados sons de 30 tipos de morcegos para desenvolver um sistema com o qual os cientistas puderam identificar os vários animais ao longo da costa, determinar o número e protegê-los.
“É necessário melhorar a capacidade de distinguir as espécies que utilizam as mesmas características sonoras e devemos acelerar essa identificação”, comentou o investigador à Bush Telegraph. “A automatização na identificação dos sons de morcegos é vista como um desenvolvimento essencial para a eficácia deste método de pesquisa”, acrescenta.
No trabalho, os cientistas conseguiram recolher quatro mil sons emitidos pelos morcegos.
Os sons foram catalogados e estudados através de um programa informático que permite identifica-los entre si.
Os morcegos emitem ultra-sons para se orientarem durante os voos nocturnos e para caçar. Estes sons - inaudíveis para o ouvido humano - têm ritmos, frequências e uma duração diferente consoante as espécies.

A identificação dos sons foi bastante demorada. "Ainda precisamos de melhorar a capacidade de distinção das diferentes espécies que têm o mesmo tipo de som. E devemos aumentar a velocidade com que o fazemos", explicou Law. A equipa acredita que esta nova ferramenta vai ajudar a proteger estas espécies .
Noticia e imagens aqui

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Porque é que os peixes não congelam no Árctico

A Natureza está sempre a surpreender-nos...


Imagem do peixe Macropteris maculatus e da estrutura da proteína anticongelante (Credit: Konrad Meister)
Investigadores da Universidade de Bochum-Ruhr (RUB), na Alemanha, descobriram como é que os peixes do Oceano Árctico conseguem a proeza de não ficarem congelados - possuem um anticongelante natural que funciona de forma a evitar que congelem até à morte, nas águas geladas. O estudo liderado por Martina Havenith vem publicado no «Journal of American Chemical Society».

Como funciona?
As águas do Oceano Ártico não costumam variar além dos 0°C, e o ponto de congelamento do sangue dos peixes é de 0.9 °C. Portanto, se não existisse um sistema anticongelante, os peixes morreriam. No sangue do peixe encontra-se uma proteína anticongelante (AFP - Antifreeze Protein), esta, afecta as moléculas da água, em redor do seu corpo, de modo a que permaneça fluida. Não existe nenhuma ligação química entre a proteína e água – a mera presença da primeira é suficiente.
Há pelo menos 50 anos, que estas proteínas foram encontradas no sangue destes animais e funcionam melhor do que qualquer anticongelante doméstico; no entanto, a forma como agem é que ainda não estava clara.

A equipa de investigação recorreu a uma técnica especial – a espectroscopia de terahertz –, para desvendar o mecanismo subjacente a este efeito. Com a radiação terahertz, o movimento colectivo das moléculas de água e proteínas podem ser gravadas. Desta forma, é possível mostrar uma espécie de dança permanente das moléculas (em água líquida), e, posteriormente, como é que vão introduzindo novos efeitos mais ordenados, na presença das proteínas. Inicialmente, “parece uma dança de discoteca que se transforma num minuete [dança em compasso]”, refere Havenith.

Os objectos das investigações em curso foram as glicoproteínas anticongelantes de uma marlonga (Dissostichus mawsoni), pescada durante uma expedição à Antárctida pelo norte-americano Arthur L. Devries, um dos parceiros do estudo. “Verificamos que a proteína tem um efeito especial de longo alcance sobre as moléculas de água em torno delas. É uma espécie de dinâmica camada de hidratação prolongada", acrescenta o co-autor Konrad Meister.

Segundo Martina Havenith, “o efeito que impede a cristalização do gelo, é ainda mais pronunciado em baixas temperaturas do que à temperatura ambiente”. Contudo, para congelar a água seria necessário que estivessem bastante baixas. Através da ‘complexação da AFP’ por borato reduziram fortemente a actividade anticongelante. Neste caso, também não encontraram nenhuma alteração na dança terahertz.

Os resultados fornecem evidências de como um novo modelo de glicoproteínas pode evitar que a água congele. Ou seja, a actividade anticongelante não é conseguida através de uma única ligação molecular entre a proteína e água, mas porque a AFP perturba o solvente aquoso a longas distâncias. O estudo demonstrou, pela primeira vez, uma relação directa entre a função de uma proteína e sua assinatura na faixa de terahertz.
Fonte da notícia:

sábado, 17 de julho de 2010

Mosquitos GM 100% resistentes à malária

Mosquitos GM 100% resistentes à malária


Fêmea do mosquito Anopheles James Gathany/CDC
Cientistas da Universidade de Arizona criaram com sucesso mosquitos geneticamente modificados (GM) que são 100 por cento resistentes ao parasita da malária. O mosquito fica incapaz de infectar seres humanos com malária.

Durante anos, os cientistas têm tentado tornar os mosquitos resistentes ao parasita da malária que transporta um organismo unicelular designado Plasmodium. Mas as tentativas anteriores só conseguiram destruir aproximadamente 97 por cento dos parasitas da malária em corpos de mosquitos. A diferença entre 97 e 100 por cento pode parecer insignificante, mas Michael Riehle, que liderou o novo estudo, diz que 3 por cento representa a diferença entre o sucesso e o fracasso: "Se se pretende parar eficazmente a disseminação do parasita da malária, é necessário conseguir mosquitos 100 por cento resistentes ", afirmou.

No novo estudo, publicado ontem na revista Public Library of Science Pathogens, a equipa de Riehle projectou uma parte de informação genética que se insere no genoma de um mosquito. Quando os investigadores alimentaram os mosquitos geneticamente modificados de sangue infestado pela malária, os parasitas Plasmodium não infectaram um único animal em estudo. E uma vez que a molécula anti-malária é injectada em ovos do mosquito, a próxima geração, em seguida, transporta os genes alterados passando - os para as gerações futuras.

Os cientistas descobriram também que a molécula anti-malária reduz o tempo de vida do mosquito, o que minimiza as hipóteses de que o parasita da malária se desenvolva. Mosquitos selvagens vivem geralmente 2 a 3 semanas, mas o parasita da malária precisa de 12 a 16 dias para se desenvolver no mosquito antes que ele possa ser transmitido às pessoas. "Os mosquitos mais antigos são responsáveis pela maior parte da transmissão da malária, assim, ao reduzir a vida do mosquito pode-se reduzir ou eliminar o número de pessoas que o mosquito pode infectar", disse o líder da equipa Riehle.

O parasita da malária é transportado pela fêmea do mosquito Anopheles. Quando transmitido a um ser humano, o parasita viaja primeiro até ao fígado, onde se instala e, em seguida, para a corrente sanguínea, onde se reproduz e destrói os glóbulos vermelhos do sangue.

Estima-se que cerca de 250 milhões de pessoas contraem malária anualmente, e cerca de um milhão morrem, muitos deles crianças. De momento não existem vacinas eficazes ou aprovadas contra a malária, embora algumas tenham sido testadas. Riehle defende que mesmo que uma vacina fosse desenvolvida, a distribuição seria um grande desafio.

De acordo com Riehle, para erradicar completamente o parasita da malária transmitido por mosquitos requer três coisas: a capacidade de projectar o mosquito, encontrar genes ou moléculas que podem destruir o parasita da malária, e dar aos mosquitos modificados uma vantagem competitiva para que eles possam substituir a população selvagem.
Os dois primeiros componentes têm sido conseguidos, mas segundo Riehle o terceiro representa um grande obstáculo - "Muita investigação está sendo feita agora para dar vantagens adaptativas aos mosquitos, para que possam substituir as populações selvagens," disse. "Mas provavelmente estamos pelo menos afastados uma década, e se esta for realmente utilizada para controlar a malária vai demorar vários anos para a reposição da população selvagem actual" salientou.

De acordo com Riehle o bloqueio completo do parasita da malária é essencial para qualquer estratégia de controlo de futuro.
Os mosquitos geneticamente modificados estão num ambiente de laboratório seguro de modo a garantir que não vão escapar. Quando os investigadores encontrarem uma forma de substituir as populações de mosquitos selvagens pelas de mosquitos geneticamente modificados, os genes alterados vão espalhar-se pela população natural. Se a abordagem for bem-sucedida, em última análise, a malária poderá ser uma doença do passado.

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Referência: Corby-Harris et al. Activation of Akt Signaling Reduces the Prevalence and Intensity of Malaria Parasite Infection and Lifespan in Anopheles stephensi Mosquitoes. Public Library of Science (PLoS) Pathogens, July 2010 issue:www.plospathogens.org

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Os camarões devem estar loucos...


Usamos e abusamos tanto dos antidepressivos ( parece que são panaceia para qualquer problema da vida), que estas "drogas legais" chegaram ao mar e estão provocando alterações significativas na vida da sua fauna. As águas residuais contem uma quantidade elevadíssima de antidepressivos como a fluoxetina, que o comportamento dos animais está sendo gravemente afectado e o mais grave ainda, é que poderá afectar toda a cadeia alimentar.
Segundo um estudo publicado na revista de toxicologia aquática, os camarões apresentam comportamentos estranhíssimos, quando permaneceram em águas com uma quantidade daquele medicamento, igual à encontrada nas águas residuais, vertidas nos rios e estuários.
Alex Ford cientista do Instituto de Ciências do Mar da Universidade de Portsmouth detectou
" mudanças drásticas de comportamento" nos crustáceos expostos ao medicamento fluoxetina. Este é utilizado vulgarmente para aumentar a serotonina no cérebro aliviando os sintomas da depressão.
Mas como se comportam estes camarões sob o efeito da fluoxetina? Uma das reacções (inesperada) por exemplo é a maior tendência ( até 5 vezes mais) para se dirigirem para a luz em vez de se afastarem dela. Tornam-se assim presa fácil para os seus predadores naturais, peixes e pássaros. Este comportamento pode diminuir drasticamente a população de camarões, advertem os cientistas.
Além disso, a mudança de comportamento pode provocar danos graves no ecossistema: " Sabe-se que os crustáceos são essenciais para as cadeias alimentares e se o comportamento usual dos camarões está mudando devido aos níveis dos antidepressivos na água do mar, isto levanta um sério risco para o equilíbrio dos ecossistemas (...) Grande parte daquilo que os humanos consomem pode-se detectar na água do mar em diferentes concentrações. Se somos uma nação de consumidores de café, há uma enorme quantidade de cafeína nas águas residuais. Não é de surpreender que aquilo que consumimos, vindo da farmácia, contamine as vias fluviais e o mar. A s águas residuais concentram-se nos estuários e nas zonas costeiras que são os locais onde os camarões e os peixes vivem. Isto significa que os camarões e outros animais aquáticos estão tomando os medicamentos excretados por povos inteiros.
Os pratos de camarão já não vão ter o mesmo sabor.

Notícia lida em : http://www.ecologiaverde.com/

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Microchip em abelhas ajudará a explicar o seu declineo em massa




Cientistas do Centro de Neurociência da Universidade escocesa de Dundee querem determinar as causas do desaparecimento das abelhas, nas colmeias de todo o mundo. Para atingir este objectivo instalam equipamento em abelhas para monitorá-las e obter detalhes de seu comportamento.

Intrigados pelo ainda inexplicável desaparecimento em massa de abelhas em várias partes do globo, cientistas da Acta -Associação para Coordenação Técnica Agrícola, de Lyon, França, equiparam estas produtoras de mel com microchips dotados de rádios com identificador de frequência, antes de libertá-las na natureza. com a ajuda do minúsculo aparelho, além de um equipamento instalado na entrada das colmeias que registra uma série de dados relativos aos insectos, os investigadores estão estudando com maior precisão todo o comportamento das abelhas, desde o seu nascimento até à sua morte. Pela primeira vez, uma experiência como esta está a ser realizada em campo.
Seja na Europa, Estados Unidos, China e países da América Latina, as abelhas estão ameaçadas, conclusão a que chegou a 41ª edição da Apimondia, congresso internacional apícola realizado em Setembro de 2009 em Montpellier, na França. Nos Estados Unidos, a população de abelhas vem decaindo há duas décadas e, segundo o Usda, o Departamento de Agricultura americano, o número actual de colmeias, 2,4 milhões, é 25% menor do que nos anos 1980. O fenómeno, contudo, não é exclusivo dos norte-americanos. De país para país, o decréscimo na população de abelhas pode variar de 20% a 30%, e o prejuízo decorrente desse desaparecimento é drástico, pois as abelhas polinizam 75% das espécies vegetais consumidas pelos seres humanos.
As abelhas voam de flor em flor colectando néctar, e, nesse processo, ajudam na polinização e na reprodução das plantas.
Se as causas deste sumiço generalizado, conhecido pela sigla em inglês CCD, de "desordem de colapso de colónias", ainda não foram definidas com precisão, muitas são as hipóteses apontadas, como o emprego de pesticidas na agricultura, um ácaro parasita chamado Varroa ou até mesmo a diminuição na floração das plantas no seu habitat. De momento, os estudos dos pesquisadores franceses já conseguiram testar, pela primeira vez em condições naturais, a toxidade do pesticida Fipronil, comercializado pela Basf e usado em muitos países. Mesmo em doses não letais, o produto químico deixa as abelhas desorientadas, provocando uma redução significativa em sua rotina de colecta de néctar, seu sentido de direcção e, por tabela, sua capacidade de encontrar o caminho de volta para a colmeia.
Os cientistas estudarão durante os próximos quatro anos os movimentos de 2500 insectos, nos quais colocaram um “microchip” na cabeça, cita o jornal "The Times". Serão ainda pesados à entrada e à saída das colmeias para averiguar quanto polén e néctar transportam.
Próximo de três dessas colmeias há o uso de pesticidas, enquanto noutras tantas não se utilizam essas substâncias.Vai assim ser avaliada a hipótese de que os animais sujeitos aos efeitos dos pesticidas ficam mais desorientados, ou seja, os investigadores vão verificar se as substâncias afectam negativamente a memória, a capacidade de comunicação e o sentido de orientação. Apesar de haver pesticidas que demonstraram não ter efeito, os investigadores pretendem perceber se a sua combinação tem consequências negativas para os insectos.

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http://www.elmundo.es/elmundo/2010/06/22/ciencia/1277207982.html

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Focas usam os seus bigodes-radar para detectar peixes

Até uma foca de olhos vendados encontra peixe. Tudo o que precisa é dos seus bigodes. E QUE BIGODES.

Cientistas do Centro de Ciências Marinhas da Universidade de Rostock, na Alemanha demonstraram, de acordo com um novo estudo por eles realizado, que as focas podem detectar peixes até 100 metros de distância e tudo isto apenas com os seus bigodes-radar.
A partir do rastro que os peixes deixam na água, as focas conseguem decifrar a sua trajectória e inclusive de que espécie se trata.
Os investigadores realizaram experiências durante dois meses utilizando um peixe artificial, colocado na água de modo a criar um "rastro" que fosse detectado por Henry, uma foca de seis anos de idade.

À foca foram colocados auriculares e máscara para que não ouvisse nem visse durante os testes, de modo a assegurar que a foca só captasse as sensações na água, graças aos bigodes.

O estudo foi publicado no " Journal of Experimental Biology'.

Apesar de ter os olhos e ouvidos tapados, Henry foi capaz de indicar com um movimento da cabeça se o peixe se movimentava para a esquerda ou para a direita. Na experiência, levada a cabo na piscina descoberta do Zoológico de Colónia, na Alemanha, a foca foi capaz de detectar e indicar a direcção do peixe. Esta foca, acertou 90% das vezes no percurso, sempre que era solta cinco segundos depois da passagem do peixe. A percentagem desce para 70%, quando o tempo de espera é superior a 35 segundos. Aos 40, Henry mostrou-se incapaz de detectar o peixe.

Os investigadores da equipa de Wolf Hanke, cientista que dirigiu a experiência , moviam o peixe artificial em várias direcções e Henry seguia precisamente essas mudanças de direcção com muita precisão.
"As focas parecem ser capazes de distinguir diferentes formatos, o que pode significar que são capazes de diferenciar as diferentes espécies de peixes", explicou Wolf Hanke à BBC News.
E tudo graças aos seus bigodes

Os cientistas pretendem avançar para uma fase de experiências mais complexas, usando peixes vivos, para tentar descobrir até que ponto as focas conseguem detectar uma trajectória complexa dos peixes.

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http://news.bbc.co.uk/2/hi/science_and_environment/10287564.stm

sábado, 29 de maio de 2010

Caracóis fornecem pistas sobre toxidependência

Drogas: Caracóis fornecem pistas sobre a toxicodependência Os caracóis são excelentes "modelos" nos estudos de aprendizagem e memória
Cientistas americanos observaram que caracóis expostos a metanfetamina formavam memórias que persistiam por mais de 24 horas, ao contrário do que acontecia com os caracóis do grupo controlo, o que comprova que certas drogas promovem a formação de memórias persistentes que podem estar na origem da reincidência no seu consumo.
De acordo com a pesquisa, publicada no Journal of Experimental Biology, a metanfetamina é um psicoestimulante que "seduz as vítimas aumentando a auto-estima e o prazer sexual e induz a um estado de euforia". Uma vez "agarrado", é muito difícil ao toxicodependente romper o hábito", disse Barbara Sorg, da Universidade do Estado de Washington, cientista que dirigiu o estudo.
O consumo de pelo menos algumas drogas conduz à formação de memórias persistentes – ao tomar drogas num dado ambiente forma-se uma associação entre esse comportamento e as características do meio envolvente de tal modo que o regresso a esse meio pode causar a reincidência.

Para compreender o mecanismo por detrás deste processo cientistas da Universidade da Universidade Estatal de Washington recorreram a uma espécie de caracol aquático que utilizaram como modelo, o humilde molusco Lynmaea sgtagnalis.
A experiência consistiu em analisar os efeitos da metanfetamina nos caracóis, comparando a conduta dos animais drogados e não drogados numa tarefa tão simples como a respiração. Os caracóis costumam ser usados para o estudo da memória e aprendizagem porque têm um sistema nervoso central relativamente simples, com neurônios facilmente identificáveis. "Normalmente vivem em águas paradas e respiram através da pele", disse a cientista. "Mas quando os níveis de oxigênio diminuem na água, os caracóis vão para a superfície e abrem um tubo de respiração.
"Os investigadores treinaram os caracóis para que não fossem à superfície picando o seu tubo respiratório com uma pequena vara. Eles não gostavam disso, portanto aprenderam, com o método de tentativa e erro, a não sair da água, e assim formaram uma memória", explicou Sorg. Os cientistas descobriram que se expusessem os caracóis a uma baixa concentração de metanfetamina antes da tarefa de respiração, eles ficavam mais "preparados" para formar uma memória mais persistente da tarefa. Verificou-se que os caracóis não drogados esqueceram a tarefa 24 horas depois do treinamento, mas os drogados com metanfetamina mantiveram a recordação durante mais tempo.
Os resultados revelam que os animais que assimilaram a droga tinham tendência a repetir o comportamento que exibiam quando estavam sob o efeito da substância, mesmo após 24 horas, quando esta já não estava presente no seu organismo, comprovando que a exposição à metanfetamina causa a formação de memórias de longa-duração.

O próximo passo da investigação é determinar o que exactamente se alterou nas células cerebrais individualmente por acção da metanfetamina de forma a criar memórias tão difíceis de esquecer. O objectivo é, a longo-prazo, desenvolver métodos de actuar sobre essas memórias de forma a apagá-las.
O trabalho, dizem os cientistas, pode ser importante em futuros tratamentos, baseados na memória, para combater a dependência a drogas ou outros transtornos como o stress pós-traumático. O objetivo eventualmente poderia ser atacar memórias específicas, ou patológicas, para que o paciente possa esquecê-las ou diminuí-las. "Se soubermos como se formam essas memórias e como podem ser esquecidas, e se pudermos entender como é o processo que provoca o esquecimento em uma célula individual, poderemos transferir esses conhecimentos para animais superiores, incluindo os seres humanos", disse Sorg.

Fonte: news.bbc.co.uk

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mosquinha do vinagre diz-nos como o cérebro decide o que comer.

Mosquinhas do vinagre com a barriga azul, depois de terem ingerido comida rica em proteína (DR)
A escolha dos alimentos indicados para uma alimentação equilibrada é uma preocupação comum a todos os seres vivos – e não só ao Homem.

Mas que alimentos escolher?

Num estudo publicado agora na prestigiada revista científica «Current Biology» (*), Carlos Ribeiro (Investigador Principal no Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, no Instituto Gulbenkian de Ciência) e Barry J. Dickson (Investigador no Research Institute of Molecular Pathology, Viena, Áustria) identificam pela primeira vez genes e circuitos cerebrais envolvidos neste processo de decisão. O estudo efectuado em Drosophila melanogaster, mosca do vinagre, abre portas para que se compreenda também como outros organismos escolhem as suas fontes de alimento, desde os mosquitos portadores do parasita da malária aos Humanos.

Como é que o cérebro decide qual o tipo de alimento que vai comer? Carlos Ribeiro, um cientista suíço filho de pai português, procurou e encontrou uma resposta nas moscas do vinagre: passou semanas de roda delas, em experiências, até que identificou moléculas envolvidas no processo de decisão sobre a comida ...nos neurónios.
Para descobrir como é que as moscas decidiam o que iam comer, Carlos Ribeiro e Barry Dickson , engendraram uma experiência intelegente, com comida e corantes para as cobaias.

Tingiram com um corante azul a comida enriquecida com proteínas, o que em alimento de moscas significa ter leveduras. A comida sem leveduras foi corada de encarnado. Pela observação da cor das barrigas das moscas, sabiam o que elas tinham comido.
O que mostraram as observações: quando as moscas já tinham a sua dose de proteínas, não aceitavam mais. “Mas se as privarmos de proteínas durante um período (experiência efectuada), acabam por escolher a comida com proteínas”, afirmou Carlos Ribeiro. “E as fêmeas que já acasalaram são mais rápidas a mudar de dieta do que fêmeas virgens.”
Como é que as moscas, em todas as situações, sabem quantas proteínas estavam na dieta ingerida antes? “Sabem porque há um receptor [uma molécula] no cérebro que detecta quantas proteínas estão no corpo.”
E, no caso de uma mosca grávida, existe outro receptor que detecta a presença de uma molécula do esperma dos machos, que diz ao cérebro que ela está grávida e a faz preferir comida com proteínas.
Embora obtidos na famosa mosca do vinagre, um dos organismos favoritos dos cientistas para as experiências, os resultados podem ajudar a compreender como outros seres vivos escolhem os seus alimentos. Mas ainda não se sabe se as mesmas moléculas envolvidas nas escolhas alimentares das moscas estão em acção nos seres humanos. Sabe-se apenas que, nos ratinhos, o mesmo receptor para a detecção de proteínas no organismo controla a quantidade de comida ingerida: “Mas não sabemos se também controla as escolhas.”



“Se pudermos compreender como o sensor actua no cérebro da Drosophila para controlar a vontade de ingerir comida rica em proteínas, talvez se posso modificar também a vontade dos mosquitos fêmeas de ingerir sangue, e, desta forma, interferir com a transferência do parasita da malária entre hospedeiros”.

Para os humanos, este estudo pode vir a revelar-se muito importante para compreender e resolver as inúmeras desordens alimentares e assim melhorar a qualidade de vida do homem.


Este estudo foi financiado pela European Molecular Biology Organisation (EMBO),
National Science Foundation, Fundação Champalimaud e Boehringer Ingelheim GmbH.

Fonte da notícia: http://www.physorg.com/news192973633.html
e Público

terça-feira, 6 de abril de 2010

Descoberto o mecanismo da formação das flores


Imagem da inflorescência de "Arabidopsis". Foto: José Luis Riechmann / Science
Um grupo investigadores, descobriu, analisando uma Arabidopsis thaliana, o mecanismo molecular que regula quando e como se formam as flores. Publicado na revista «Science», o estudo caracteriza a rede de genes regulados pelo factor de transcrição (uma proteína que controla a activação e inactivação de outros genes) APETALA1.

O investigador José Luis Riechmann, do Centro de Investigação Agrogenómica, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) espanhol, envolvido no estudo, explica, em comunicado, que “de certa forma APETALA1 actua como um maestro, coordenando, ao longo do tempo, a actividade dos distintos programas de desenvolvimento”.

APETALA1, primeiro, reprime o programa vegetativo (quando as plantas produzem folhas) e, posteriormente, activa o reprodutivo (a formação de flores).

Um dos genes controlados por este factor de transcrição é TERMINAL FLOWER 10. Este gene impede que o caule onde se formam as flores se converta também numa flor, o que permite que este cresça de forma continuada e produza muitas flores.

Apesar de até ao momento se desconhecer o mecanismo completo de floração, o factor de transcrição APETALA 1 não era estranho à comunidade científica. Estudos anteriores tinham revelado que a sua função consiste, primeiro, em iniciar a formação de meristemas florais (grupos de células indiferenciadas a partir dos quais se formam os diferentes órgãos da planta: raízes, caules, folhas e flores). Em segundo, faz com que se desenvolvam as sépalas e as pétalas, dois dos quatro tipos de órgãos que formam a flor (além dos estames e carpelos).

Também se sabia que os mecanismos que as plantas utilizam para determinar o melhor momento da floração provocam a activação do APETALA1, mas só agora se ficou a conhecer o mecanismo através do qual o gene actua.
Podes ler mais em elmundo.es e também em cienciahoje.pt

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Genoma do mandarim esconde chave da linguagem humana

Novas pistas sobre aprendizagem vocal do mandarim
Genoma da ave sequenciado por investigadores da Universidade de Washington


Mandarim - Imagem retirada da Flickr


O mandarim (Taeniopygia guttata) é um dos seres de maior interesse em laboratório, para os cientistas, por poderem ser usados como modelo de comparação entre outras aves. É um pássaro cantor, cujo comportamento e evolução têm grande interesse para os neurocientistas.

Uma equipa do Centro de Genoma, da Universidade de Washington (EUA), acabou de completar o genoma do mandarim e os primeiros resultados revelaram que pelo menos 800 genes são responsáveis pela sua habilidade para o canto, para além de terem identificado potenciais indícios genéticos relacionados com a evolução da comunicação vocal.

O estudo, publicado na «Nature», dá pistas sobre como é feita a aprendizagem a nível molecular, tanto em aves como em seres humanos. Segundo Richard K.Wilson, director do centro, uma das características particulares desta ave é o facto de aprenderem (no caso dos machos) a completar as melodias dos seus pais. Inicialmente, começam por balbuciar sons aleatórios (como as crianças) e depois, aprendem a imitar os sons dos progenitores, repetindo-os e passando-os à geração seguinte. As fêmeas já não têm a mesma capacidade de aprendizagem.

As melodias são simples e curtas (duram alguns segundos), mas são bastante complexas geneticamente, segundo referem os cientistas no estudo^. Estes especulam a possibilidade de trazer avanços relacionados com problemas e doenças ligadas à memória, fala e aprendizagem – já que têm a vantagem de poderem ter vários genes em comum com os humanos. Quando o mandarim canta ou ouve uma melodia, activa uma rede de neurónios bastante complexa no cérebro e grande parte dos genes implicados actuam como controladores da expressão de outros relacionados com a comunicação vocal.

Contudo, embora existam semelhanças com o ser humano, são ainda bastante diferentes já que o genoma desta ave tem mil milhões de bases (do DNA) e o do homem 2.800 milhões.
Notícia lida em cienciahoje.pt

sábado, 27 de março de 2010

Peixe-zebra revela segredo de reparação cardíaca






Conhecem o peixe -zebra? Aquele peixinho simpático que têm riscas no corpo.
Peixes ósseos como o peixe zebra tem uma notável capacidade com a qual os mamíferos só podem conseguir em sonhos: se retirarmos um pedaço de seu coração, eles nadam lentamente por alguns dias, mas passado um mês já parecem perfeitamente normais. Como eles conseguem fazer isso ou, mais importante, porque nós não conseguimos essa proeza, é uma das questões importantes na medicina regenerativa hoje.
Investigadores espanhóis e norte-americanos identificaram um tipo de células que participam na reparação cardíaca. Observando um peixe-zebra, os cientistas desvendaram parte do segredo dessa regeneração. Se este animal fica com o coração danificado por alguma razão consegue repará-lo no espaço de um mês. No estudo agora publicado na «Nature», os investigadores do Instituto Salk, na Califórnia, e do Centro de Medicina Regenerativa de Barcelona demonstram que são os cardiomiócitos (células do músculo cardíaco que permitem a contracção do coração) que permitem a regeneração.

Os cientistas acreditam que os mamíferos não estão tão distantes assim desse processo. Os corações humanos são incapazes de se regenerar. Depois de um ataque cardíaco, o músculo saudável é substituído por tecido com cicatrizes que não volta a contrair-se. No entanto, antes da bomba cardíaca se esgotar, as células do coração entram num estado de hibernação para tentarem salvar-se.

Este comportamento sugere que a regeneração nos mamíferos pode não ser uma utopia, acredita Juan Carlos Izpisúa, um dos investigadores. Até agora, todas as tentativas de recuperar corações em humanos depois de um ataque cardíaco centravam-se na utilização de células mãe provenientes da gordura, do músculo cardíaco ou da medula óssea.

A maneira pela qual a natureza trata o coração danificado parece ser muito mais simples. A ideia seria tentar imitar o que acontece no peixe-zebra. Evitar o implante de células exteriores e tentar activar a regeneração endógena pela diferenciação dos cardiomiócitos já existentes. Isso poderia ser feito, por exemplo, utilizando compostos químicos.

A equipa de investigação começou já à procura de moléculas para um dia dar “impulso” à natureza e permitir o uso de medicação.

Artigo: Zebrafish heart regeneration occurs by cardiomyocyte dedifferentiation and proliferation