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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Porque é que os peixes não congelam no Árctico

A Natureza está sempre a surpreender-nos...


Imagem do peixe Macropteris maculatus e da estrutura da proteína anticongelante (Credit: Konrad Meister)
Investigadores da Universidade de Bochum-Ruhr (RUB), na Alemanha, descobriram como é que os peixes do Oceano Árctico conseguem a proeza de não ficarem congelados - possuem um anticongelante natural que funciona de forma a evitar que congelem até à morte, nas águas geladas. O estudo liderado por Martina Havenith vem publicado no «Journal of American Chemical Society».

Como funciona?
As águas do Oceano Ártico não costumam variar além dos 0°C, e o ponto de congelamento do sangue dos peixes é de 0.9 °C. Portanto, se não existisse um sistema anticongelante, os peixes morreriam. No sangue do peixe encontra-se uma proteína anticongelante (AFP - Antifreeze Protein), esta, afecta as moléculas da água, em redor do seu corpo, de modo a que permaneça fluida. Não existe nenhuma ligação química entre a proteína e água – a mera presença da primeira é suficiente.
Há pelo menos 50 anos, que estas proteínas foram encontradas no sangue destes animais e funcionam melhor do que qualquer anticongelante doméstico; no entanto, a forma como agem é que ainda não estava clara.

A equipa de investigação recorreu a uma técnica especial – a espectroscopia de terahertz –, para desvendar o mecanismo subjacente a este efeito. Com a radiação terahertz, o movimento colectivo das moléculas de água e proteínas podem ser gravadas. Desta forma, é possível mostrar uma espécie de dança permanente das moléculas (em água líquida), e, posteriormente, como é que vão introduzindo novos efeitos mais ordenados, na presença das proteínas. Inicialmente, “parece uma dança de discoteca que se transforma num minuete [dança em compasso]”, refere Havenith.

Os objectos das investigações em curso foram as glicoproteínas anticongelantes de uma marlonga (Dissostichus mawsoni), pescada durante uma expedição à Antárctida pelo norte-americano Arthur L. Devries, um dos parceiros do estudo. “Verificamos que a proteína tem um efeito especial de longo alcance sobre as moléculas de água em torno delas. É uma espécie de dinâmica camada de hidratação prolongada", acrescenta o co-autor Konrad Meister.

Segundo Martina Havenith, “o efeito que impede a cristalização do gelo, é ainda mais pronunciado em baixas temperaturas do que à temperatura ambiente”. Contudo, para congelar a água seria necessário que estivessem bastante baixas. Através da ‘complexação da AFP’ por borato reduziram fortemente a actividade anticongelante. Neste caso, também não encontraram nenhuma alteração na dança terahertz.

Os resultados fornecem evidências de como um novo modelo de glicoproteínas pode evitar que a água congele. Ou seja, a actividade anticongelante não é conseguida através de uma única ligação molecular entre a proteína e água, mas porque a AFP perturba o solvente aquoso a longas distâncias. O estudo demonstrou, pela primeira vez, uma relação directa entre a função de uma proteína e sua assinatura na faixa de terahertz.
Fonte da notícia:

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Focas usam os seus bigodes-radar para detectar peixes

Até uma foca de olhos vendados encontra peixe. Tudo o que precisa é dos seus bigodes. E QUE BIGODES.

Cientistas do Centro de Ciências Marinhas da Universidade de Rostock, na Alemanha demonstraram, de acordo com um novo estudo por eles realizado, que as focas podem detectar peixes até 100 metros de distância e tudo isto apenas com os seus bigodes-radar.
A partir do rastro que os peixes deixam na água, as focas conseguem decifrar a sua trajectória e inclusive de que espécie se trata.
Os investigadores realizaram experiências durante dois meses utilizando um peixe artificial, colocado na água de modo a criar um "rastro" que fosse detectado por Henry, uma foca de seis anos de idade.

À foca foram colocados auriculares e máscara para que não ouvisse nem visse durante os testes, de modo a assegurar que a foca só captasse as sensações na água, graças aos bigodes.

O estudo foi publicado no " Journal of Experimental Biology'.

Apesar de ter os olhos e ouvidos tapados, Henry foi capaz de indicar com um movimento da cabeça se o peixe se movimentava para a esquerda ou para a direita. Na experiência, levada a cabo na piscina descoberta do Zoológico de Colónia, na Alemanha, a foca foi capaz de detectar e indicar a direcção do peixe. Esta foca, acertou 90% das vezes no percurso, sempre que era solta cinco segundos depois da passagem do peixe. A percentagem desce para 70%, quando o tempo de espera é superior a 35 segundos. Aos 40, Henry mostrou-se incapaz de detectar o peixe.

Os investigadores da equipa de Wolf Hanke, cientista que dirigiu a experiência , moviam o peixe artificial em várias direcções e Henry seguia precisamente essas mudanças de direcção com muita precisão.
"As focas parecem ser capazes de distinguir diferentes formatos, o que pode significar que são capazes de diferenciar as diferentes espécies de peixes", explicou Wolf Hanke à BBC News.
E tudo graças aos seus bigodes

Os cientistas pretendem avançar para uma fase de experiências mais complexas, usando peixes vivos, para tentar descobrir até que ponto as focas conseguem detectar uma trajectória complexa dos peixes.

Notícia lida em:


e também em

http://news.bbc.co.uk/2/hi/science_and_environment/10287564.stm

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Criado peixe transparente ideal para estudar sem dissecar


Peixinho-dourado transparente permite a cientistas verem os órgãos internos e a corrente sanguínea

Peixe-dourado transparente criado por Japoneses-APF

Um grupo cientistas japoneses da Universidade de Mie apresentou uma nova criação: um peixe transparente ideal para experiências científicas.

Como não tem pigmentação, os investigadores podem estudar o funcionamento dos seus órgãos internos e a circulação sanguínea sem recorrer à dissecação. A criação foi apresentada na reunião anual da Sociedade de Biologia Molecular do Japão.
Tendo em conta que cada peixe produz vários milhões de ovos cada vez que se reproduz, os cientistas acreditam que o peixinho dourado se converterá num modelo animal muito útil para a realização de toda a espécie de estudos sobre o desenvolvimento e o funcionamento dos órgãos internos e do sangue. Também é esperado que possa servir como ferramenta educativa nas aulas experimentais de ciências, onde os alunos poderão analisar o interior dos animais sem ter que os dissecar.
Este animal não é resultado de experiências transgénicas, mas sim do cruzamento entre carpas-douradas (Carassius auratus auratus), os vulgares peixinhos de aquário, efectuado ao longo de três anos.


Há já vários anos que uma versão transparente dos peixes-zebra (Danio rerio) é utilizada em experiências científicas. No entanto, o uso destes animais é limitado, isto porque são muito pequenos (não passam os cinco centímetros) e leves (pesam apenas três gramas).

Os peixes agora criados no Japão podem chegar aos 25 centímetros e a pesar mais de dois quilogramas. Além disso, vivem até aos 20 anos.

O investigador Yutaka Tamaru explica que as escamas e a pele do peixe não têm pigmentação, o que permite ver perfeitamente o coração, o cérebro, o funcionamento dos órgãos e da corrente sanguínea, bem como todo o seu desenvolvimento à medida que vai crescendo.
A criação destes peixes transparentes é uma óptima notícia para os defensores dos animais, já que oferece uma alternativa às sempre polémicas dissecações que se costumam realizar nas experimentação cientifica.
Fonte da notícia: elmundo.es

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Peixes dos corais mais agressivos, a culpa é do aquecimento global

Peixes dos corais sofrem alterações de personalidade devido ao aquecimento da água
Cientistas preocupados com os efeitos do aumento da temperatura

Temperatura da água afecta os peixes dos corais. Os peixes que habitam nos recifes de corais podem vir a sofrer bastantes alterações de personalidade devido às mudanças climáticas. Um estudo da Universidade da Nova Gales do Sul, Austrália, indica que correm o risco de se tornarem mais agressivos. Os resultados publicados no «Proceedings of the Royal Society B» revelam que um ligeiro aumento de temperatura da água, aproximadamente de dois graus, faz com que os peixes fiquem 30 vezes mais agressivos e activos. O metabolismo destes animais acelera rapidamente com o aumento da temperatura.
Já se sabia que em ambientes controlados – como os aquários – os peixes aumentam a sua actividade, aumentando, por exemplo, o acasalamento. Mas em meio natural isso também se verifica. Este aumento torna também os peixes mais chamativos. “Um peixe que nada sozinho e é muito activo será mais visível para um predador do que um peixe mais tranquilo”, explica Peter Biro, um dos autores do estudo.
A ideia de que o peixe pode ter personalidade parece um pouco excêntrica, admite o investigador, mas é muito importante para se tentar perceber como os animais respondem aos desafios ambientais. Até agora, os cientistas não sabem quais serão os efeitos de longo prazo da mudança climática nos corais, mas admitem que também é possível que algumas espécies se consigam adaptar bem às novas condições do mar.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Natureza Curiosa - Um peixe muito, muito estranho!

E quando pensamos que já vimos tudo... a natureza continua a surpreender! Um peixe com uma cabeça transparente e olhos tubulares pertencente à família Opisthoproctidae. (Ver artigo sobre esta descoberta aqui.)


Os cientistas do Instituto de Investigação do Aquário da Baía de Monterey (Califórnia, EUA) conseguiram resolver um mistério já com meio século: o do Macropinna microstoma, um peixe de olhos tubulares localizados dentro de uma cabeça transparente, que vive em zonas profundas. O peixe foi descrito pela primeira vez em 1939. Sabia-se que os seus olhos eram eficazes a captar luz, mas pensava-se que estavam fixos, o que lhe permitiria apenas ter uma visão tubular, dirigida para cima. Vê a galeria de imagens. Os cientistas Bruce Robison e Kim Reisenbichler anunciaram a 23 de Fevereiro a descoberta, a partir de imagens recolhidas por um robot submarino operado remotamente: estes olhos conseguem rodar dentro de um escudo transparente cheio de fluido que cobre a cabeça do peixe, fazendo-a parecer o cockpit iluminado de um avião. Assim, o peixe pode olhar para cima, procurando presas, mas também em frente, para ver aquilo que está a comer. As saliências por cima na boca são órgãos olfactivos, semelhantes às narinas humanas. Esta espécie é um dos exemplos da forma extraordinária como os peixes das profundezas se adaptam à escuridão do seu ambiente. Tal como outros, usam os olhos tubulares para detectar as silhuetas difusas das presas que lhes passam por cima. Apesar da sua capacidade de captar luz, têm um campo de visão estreito. Se os peixes vissem apenas para cima, com as suas bocas pequenas e pontiagudas seria difícil capturarem as presas. Os espécimes que tinham chegado à superfície até agora tinham a delicada estrutura protectora da cabeça destruída, pelo que as imagens que se tinha até ao momento não permitiam vê-la nem perceber o seu modo de funcionamento. O Macropinna microstoma vive a profundidades de 600 a 800 metros. Consegue manter-se praticamente imóvel na água, e movimenta-se de forma muito precisa. Alimenta-se de vários animais pequenos, mas também de alforrecas. Os cientistas pensam que, ao detectar a bioluminescência destas presas acima da sua cabeça, o peixe se move na vertical para depois as capturar.Vê o vídeo do Macropinna microstoma narrado por Bruce Robison (legendado em português).
Site original da notícia:
Galeria de Imagens em:
Video retirado de:

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Peixe é bom para reduzir risco de eczema

Peixe pode ajudar a afastar eczema nas crianças
Photo credits: A.S.I.N.

Investigadores suecos sugerem que a dieta de uma criança que inclua peixe antes dos nove meses de idade pode reduzir o risco de desenvolver eczema.

Os investigadores do Hospital Pediátrico Queen Sílvia, na Suécia, inquiriram os pais de bebés com seis meses, nascidos na Suécia Ocidental em 2003, acerca da dieta das crianças e qualquer evidência de eczema alérgico. Foram novamente inquiridos quando as crianças atingiram os 12 meses de idade.

Dados completos do nascimento e dois tipos de questionários foram obtidos de cerca de 5 mil das 8 mil famílias contactadas. 13 por cento das famílias afirmaram que a criança mais nova já tinha desenvolvido eczema aos seis meses.

O estudo, publicado na "Archives of Disease in Childhood", descobriu que não existia qualquer correlação entre os produtos diários, a amamentação e ter animais domésticos em casa, mas sim em ter um parente com eczema. Contudo, a introdução do peixe na dieta antes dos nove meses reduziu o risco de desenvolver a doença em 25 por cento.

As crianças faziam todas parte de um estudo de saúde a decorrer, "Infants of Western Sweden", que está a seguir a saúde a longo prazo de aproximadamente 17 mil bebés.
Fonte da Notícia: FARMACIA.COM.PT

domingo, 27 de julho de 2008

Projecto de Conservação Ex Situ de Organismos Fluviais



No dia 15 de Julho, foi assinado um protocolo de colaboração entre o Aquário Vasco da Gama, a Quercus, o Instituto Superior de Psicologia Aplicada, e a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, com vista ao desenvolvimento de um Projecto de Conservação Ex Situ de Organismos Fluviais.

Espécies ameaçadas

A degradação dos rios portugueses está a colocar em risco a sobrevivência de muitas espécies da nossa fauna e flora. De entre estas, as que necessitam de medidas de emergência e serão objecto de conservação neste projecto, são cinco espécies de peixes do Oeste e do Sul do País: a boga do Oeste (Achondrostoma occidentale), a boga-portuguesa (Iberochondrostoma lusitanicum), o escalo do Mira (Squalius torgalensis), o escalo do Arade (Squalius aradensis), a boga do Sudoeste (Iberochondrostoma almacai); e três plantas: o narciso do Algarve (Narcissus willkommi), o trevo-de-quatro-folhas (Marsilea quadrifolia) e Pilularia minuta.


O que se pretende fazer

O principal objectivo deste projecto consiste em reproduzir e manter populações ex situ (em cativeiro) das espécies de organismos de água doce mais ameaçadas do continente português. Pretende-se ainda garantir a manutenção de um número suficiente de exemplares de forma a conservar a diversidade genética intra-específica.
Numa primeira fase, que durará três anos, a implementação do projecto visa apenas garantir a manutenção de um repositório genético em cativeiro. No entanto, numa segunda fase (já em preparação), prevê-se a utilização destas populações em acções de repovoamento dos rios, associadas a projectos de recuperação de linhas de água.
O projecto será desenvolvido em instalações da Direcção Geral dos Recursos Florestais, localizadas em Campelo, concelho de Figueiró dos Vinhos, no Sítio de Interesse Comunitário “Serra da Lousã”. O local integra-se na bacia hidrográfica do rio Tejo. Trata-se de uma antiga piscicultura actualmente desactivada. As instalações são compostas de nove tanques ao ar livre, com cerca de 21 m2 de área e profundidade variável, e oito tanques interiores de pequena dimensão (60x40 cm). Dispõe ainda de um edifício de apoio com duas salas para laboratório e exposições, e uma sala para apoio.
Prevê-se ainda a necessidade de adquirir tanques para reprodução, a instalar no exterior.
A divulgação pública do projecto será também efectuada através do sítio http://www.peixesdeportugal.com/.

Notícia divulgada por Aquário Vasco da Gama em 25-07-08