Mostrar mensagens com a etiqueta olhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta olhos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ver o Mundo com outros Olhos

Córneas biossintéticas são testadas com sucesso em pacientes com visão ameaçada. O avanço pode ser o caminho para atender à enorme procura por doações de córnea, que deixa cerca de 10 milhões de pessoas sem tratamento por ano.

A córnea é a camada superficial transparente que age como uma janela refratora para o globo ocular, ajudando a ajustar o foco. Lesões e doenças na membrana são a segunda causa de cegueira no mundo (foto:Michele Catania ).
Depois das cataratas, lesões e doenças que atingem a córnea são a segunda maior causa de cegueira no mundo. Por mais de um século, a solução para remediar esse mal tem sido o transplante da córnea de doadores humanos. A procura, porém, é muito maior que a oferta. Dos 10 milhões de pacientes que permanecem na fila de espera, cerca de 1,5 milhão tornam-se novos casos de cegueira em cada ano.

Mas um trabalho publicado esta semana por cientistas suecos e canadenses na Science Translational Medicine pode pôr fim a esse cenário sombrio. O artigo apresenta os resultados bem-sucedidos de testes clínicos para implantar córneas biossintéticas em 10 pacientes com lesões graves na membrana, induzindo a sua regeneração.

“O estudo é o primeiro a mostrar que uma córnea artificialmente fabricada pode integrar-se no olho humano e estimular a sua regeneração”, afirma May Griffith, da Universidade de Ottawa, no Canadá, e da Universidade de Linköping, da Suécia.

Os voluntários, todos suecos, foram submetidos a cirurgias para remover a membrana danificada de um olho e substituí-la pela versão sintética.

Ao longo dos dois anos seguintes, os médicos acompanharam o progresso e verificaram que os implantes foram incorporados pelo organismo, com a regeneração de células epiteliais e nervos da córnea em torno da membrana artificial.

A sensibilidade dos olhos foi gradualmente restituída, assim como a capacidade de produzir lágrimas, essencial para lubrificar e assim oxigenar a córnea – que não é irrigada por sangue para preservar sua transparência.

A córnea é uma camada de colágeno e células que age como uma janela para o globo ocular. É o principal elemento refrativo do aparelho visual, ajudando a ajustar o foco, e precisa ser completamente transparente para permitir a entrada de luz. Diversas situações podem prejudicar essa função, como o tracoma – a principal origem infecciosa de cegueira, causada por uma bactéria –, úlceras e traumatismos.

Na pesquisa, nove dos pacientes tinham ceratocone avançado (uma doença que modifica o formato da córnea) e um tinha uma infecção na membrana. Em seis deles, a visão a olho nu melhorou após a cirurgia.

Para os restantes, o uso de lentes de contacto fez o que faltava: permitiu que vissem tão bem quanto pacientes que haviam sido submetidos a transplante de córnea humana, também com lentes. E mais: permitiu o uso de lentes de contacto o que não acontecia antes da cirurgia, nenhum deles podia usar lentes de contato, apresentando intolerância ao uso prolongado.

May Griffith exibe a córnea biossintética que foi implantada no olho de dez pacientes para restaurar a visão (foto: Ottawa Hospital Research Institute).

O ingrediente-chave para o sucesso da pesquisa foi o desenvolvimento de uma córnea artificial usando colágeno humano recombinante – sintetizado em laboratório a partir de DNA humano. “Células de levedura foram manipuladas geneticamente para conter o DNA do colágeno”, explica May Griffith à CH On-line.

“A proteína do colágeno foi então produzida no laboratório em grandes quantidades, purificada e testada para garantir segurança no uso humano”, explica a investigadora. O material, desenvolvido pela empresa Fibrogen, na Califórnia (EUA), foi então moldado para ganhar o formato da córnea.

Nenhum dos pacientes apresentou rejeição ao material. O uso do material artificial apresentou diversas vantagens em relação aos transplantes de córneas de doadores. De acordo com a pesquisa, nenhum dos pacientes apresentou rejeição ao material, e em nenhum dos casos foi preciso suprimir a resposta imunológica dos indivíduos (técnica que pode ser usada em transplantes para evitar que o sistema imune do corpo rejeite o novo tecido implantado).

Além disso, o uso de córneas biossintéticas não traz o risco de transmissão de doenças que existe quando se usa o tecido de um doador. A prevenção desse risco, aliás, é uma das etapas que mais encarece o transplante, explica Griffith.

No futuro, com córneas feitas por humanos, a fabricação poderia feita em grande escala e os custos que no momento são elevadíssimos seriam menores”.

De acordo com Griffith, o objetivo não era substituir o uso de tecido humano, e sim desenvolver uma alternativa para responder à elevada necessidade. “Claro que no futuro esperamos chegar a modelos que funcionarão ainda melhor que o tecido humano. Até lá, será preciso realizar muita pesquisa e testar um número bem maior de pacientes”, pondera.

Griffith e sua equipa começaram a desenvolver córneas biossintéticas há mais de dez anos. Só depois de muitos testes em laboratório, e alguns em animais, é que foi dado o passo de testar o material em pessoas.

“Agora temos que testar as córneas em um maior número de pacientes, aplicadas a um espectro mais amplo de condições”“Ao longo desses dez anos, desenvolvemos vários tipos de biomateriais, inclusive a próxima geração de córneas biossintéticas que será usada na próxima fase de estudos”, refere.

Para Griffith, os resultados são “muito animadores” e indicam que as pesquisas em medicina regenerativa são um caminho certo para tratar problemas na córnea. “Agora temos que testar as córneas biossintéticas em um maior número de pacientes, aplicadas a um espectro mais amplo de condições que exigem o transplante”, explica.

Na próxima fase, os testes serão feitos com a versão aprimorada da córnea artificial. “Com esse material mais forte e as aprendizagens da primeira fase, esperamos aprimorar ainda mais a visão dos próximos pacientes que receberem os implantes”, diz.
Notícia lida em cienciahoje.uol.com.br e em
http://stm.sciencemag.org/content/2/46/46ra61.abstract

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Super olhos de camarão inspira nova geração de DVDs

Os olhos de um crustáceo marinho poderão inspirar o desenvolvimento de futuros aparelhos leitores de discos digitais, como o DVD. A inusitada novidade está num artigo publicado no domingo (25/10) na revista Nature Photonics.
Camarão mantis - foto de Erwin Kodiat em Flickr

Super olhos - O camarão mantis é considerado o animal com os olhos mais complexos do reino animal, sendo capaz de ver em profundidade e com visão trinocular (Foto: Sterling Zumbrunn/Cortesia Conservation International).

Os olhos de um crustáceo marinho inspiram engenheiros para o desenvolvimento de uma nova geração de aparelhos leitores de discos digitais, eventuais sucessores do DVD.
O camarão mantis (Odontodactylus scyllarus) que pode ser encontrado na Grande Barreira de Coral, na Austrália tem o sistema de visão mais complexo de que se tem notícia. Animais dessa espécie são capazes de distinguir 12 cores primárias - o homem distingue apenas três - e podem distinguir entre formas diferentes de luz polarizada - algo que o homem não é capaz.

Segundo o estudo, feito por investigadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, células sensíveis à luz, presentes nos olhos do camarão, actuam como placas que alteram o plano das oscilações das ondas luminosas que passam por elas (placas polarizadoras).
Essa capacidade faz com que esses crustáceos convertam luz polarizada linearmente em luz polarizada circularmente e vice-versa. Dispositivos conhecidos como placas polarizadoras de quarto de onda fazem essa função em leitores de CD ou de DVD e em filtros polarizadores de câmeras fotográficas ou de vídeo.
Entretanto, esses dispositivos fabricados pelo homem tendem a operar bem, apenas para uma cor, enquanto o mecanismo natural dos olhos do camarão mantis funciona em quase todo o espectro de luz visível.
Esquema do olho do camarão mantis, mostrando as células R8, que superam qualquer equipamento já feito pelo homem com a mesma finalidade. [Imagem: Robert et al.]
"Nosso trabalho revelou o design e mecanismos únicos da placa polarizadora no olho do camarão mantis. Trata-se de algo realmente excepcional, que supera qualquer equipamento que o homem tenha produzido nesse sentido até hoje", disse Nicholas Roberts, principal autor do estudo.
Simplicidade inteligente
Por que esta espécie de camarão precisa de tanta sensibilidade à luz polarizada é algo que os cientistas desconhecem. Mas sabe-se que a visão polarizada é usada por animais para sinalização sexual ou para comunicação secreta, que evite chamar a atenção de predadores.
Os autores do estudo apontam que a capacidade inusitada do camarão mantis pode também actuar na visualização de presas, ao melhorar a capacidade de ver com clareza no meio aquático.
"Especialmente notável é que se trata de algo simples, um mecanismo natural composto por membranas celulares enroladas em tubos, mas que supera completamente os equipamentos artificiais", disse Roberts.
Biomimetismo
"Entender o funcionamento desse mecanismo natural poderá ajudar a fabricar melhores dispositivos ópticos, que poderiam usar, por exemplo, cristais líquidos produzidos especialmente para imitar as propriedades das células presentes nos olhos do camarão mantis", sugeriu.
Não seria o primeiro crustáceo a inspirar produtos do tipo. Em 2006, um componente presente no olho da lagosta inspirou o desenho de um detector de raio X para um telescópio europeu, em trabalho coordenado por Nigel Bannister, da Universidade de Leicester.
O artigo A biological quarter-wave retarder with excellent achromaticity in the visible wavelength region, de Nicholas Roberts e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em http://www.nature.com/

Noticia lida em http://www.inovacaotecnologica.com.br/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Os olhos dos animais

Que triste o olhar do cão! Até parece
Mais um queixume, um íntimo lamento
Da noite interior que lhe escurece
O coração, que é todo sentimento.

E os mansos bois soturnos! Que tormento,
Em seus olhos, tão calmos, transparece…
E os olhos da ovelhinha e os do jumento!
Que tristes! Só o vê-los entristece…

Chora, em todo o crepúsculo, a tristeza.
E, além do ser humano, a Natureza
É lívida penumbra feita de ais…

Por isso, o vosso olhar de escuridão
É mais lágrima ainda que visão,
Ó pobres e saudosos animais!

Teixeira de Pascoaes (1857- 1952)