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sábado, 21 de novembro de 2009

DAMSL - Atlas digital de espécies marinhas


Hoje nas minhas pesquisas pela net encontrei um recurso excelente para biólogos marinhos, estudantes ou para aqueles que se interessam pelo que se encontra e se esconde debaixo da superficie marinha. Falo do Atlas Digital de Espécies Marinhas, um projecto da Universidade de Miami que nos apresenta uma base de dados iconográfica de grande interesse.
Desde o Mar Vermelho até à Grande barreira de coral, o Atlas cobre uma vasta região, com fotografias das espécies que habitam as profundidades marinhas com uma boa resolucão e também com os nomes científicos das mesmas. Além disso, utilizando o Google Earth os visitantes podem apreciar fotos de várias regiões bastando apenas deslocar o cursor do rato para a região escolhida. Em cima podemos ver Tubastrea aurea, uma espécie de coral e Haliclona sp. uma esponja. Mas estas não são as únicas maravilhas que encontraremos no atlas, por isso proponho que lhe façam uma visita para comprova-lo.

sábado, 11 de julho de 2009

"Sardine Run"- Adrenalina no limite

O Sardine run vai começar de novo este ano e a adrenalina vai subir




Esta imagem caracteriza bem a cena de batalha que se passa debaixo das águas da costa africana. Transmite bem a sensação do pandemónio e do caos que ali se passa.
Que sorte a desta ave, já apanhou uma sardinha. Mas há muitas, muitas mais...são aos milhões
Fotos do Sardine run de 2008, retiradas de Flickr.com

O FENÓMENO "SARDINE RUN"

Quando pensamos em África, algumas imagens vêm imediatamente à cabeça da maioria: leões e girafas em safaris, pessoas passando fome (infelizmente), desertos a perder de vista, entre outras. Raros são aqueles que se lembram que a África é banhada por 2 oceanos (Atlântico e Índico) e 2 mares (Mediterrâneo e Vermelho), o que lhe proporciona uma costa extensa, com vários pontos de mergulho nota 10.

Mas não é dos melhores locais de mergulho desta costa que quero falar mas sim de um "evento" - diga-se de passagem, o maior evento marinho natural do planeta: o "Sardine Run".

Cardumes com milhões de sardinhas têm esta semana dado às praias sul-africanas da costa sul da província do Kwazulu-Natal, repetindo um ritual que todos os anos anima aquela costa.

A "Corrida das Sardinhas" (Sardine Run, no original), designação dada localmente ao evento, é um fenómeno que tem lugar todos os anos entre fins de Maio e início de Julho. Um cardume de milhões de sardinhas (Sardinops sagax) aparece na costa de Kwazulu-Natal, na África do Sul (do lado Índico), entre Durban e Port Edward. Este cardume fica a cerca de 1 km da costa, tem em média 7 quilómetros de extensão e pode chegar a 30 metros de profundidade. Uma verdadeira muralha de sardinhas, cuja migração para a costa sul-africana foi oportunamente apelidada pelos moradores locais de "o maior cardume da Terra".

O grande cardume se subdivide em cardumes menores, mas a mancha escura que indica a movimentação de tal agregação pode ser vista por medições térmicas, via satélite. Pouco se sabe sobre o mecanismo exacto do porquê de elas se juntarem ali daquela forma ou de onde as sardinhas vêm, mas sabe-se que é necessário que, uma corrente de água fria venha do sul, do Cape Agulhas Bank, e chegue até ali com uma temperatura da água não maior que 21ºC - há anos em que a água não arrefece e o fenómeno simplesmente não acontece. Afinal, sardinhas são peixes de águas frias, não subiriam uma costa quente como a do leste da África se condições especiais não diminuíssem a temperatura da água. Especulava-se que a presença das algas que vêm junto com a corrente fria fosse um motivo provável das sardinhas aparecerem, mas um estudo de mais de 20 anos mostrou que não havia correlação entre a concentração de clorofila-a e a distribuição das sardinhas. Um grupo da Universidade de Kwazulu-Natal tem se dedicado ao estudo do fenómeno, levantando dados oceanográficos na tentativa de entender melhor a dinâmica do Sardine Run. Quem sabe um dia até prever ao certo a data e o local onde elas aparecerão.

O "Sardine Run", é um espectáculo impressionante, diz quem já assistiu. Eu nunca fui à África, e sonho em assistir de perto ao Sardine Run, porque deve ser uma experiência ímpar. Todas as fotos que já vi sobre o evento são fantásticas. As sardinhas, para se protegerem dos inúmeros predadores que aparecem para aquele manjar frenético, formam os chamados "baitballs" (bolas de isca), e se movimentam freneticamente fugindo dos ataques dos predadores. Que são vários: tubarões, golfinhos, baleias, pássaros, peixes-espada, mola-molas, focas e quem mais estiver por ali a fim de se alimentar de sardinhas. É ataque por todos os lados, uma verdadeira guerra subaquática onde os predadores se unem e o alvo comum são as sardinhas. Quem em geral as traz "para cima", são golfinhos que "forçam" aos poucos as sardinhas a nadarem cada vez mais próximas da superfície. Uma vez que, elas cheguem a profundidades menores, o festim da alimentação começa. Ali, a costa do Índico da África do Sul (algumas vezes chega até Moçambique) passa a ter durante o "Sardine Run" a maior agregação de grandes predadores imaginável - ou seja, é o melhor estúdio fotográfico submerso que pode haver no planeta.

Entretanto, o mergulho no "Sardine Run" é para poucos. Primeiro, porque é muito caro. Segundo, porque se tem que esperar o momento certo, ou seja, na prática pode chegar em Durban em Maio e só sair de lá em Julho, porque as sardinhas resolveram aparecer mais tarde. Ou o inverso, se planear para Junho e elas vierem em Maio. Você está a mercê da natureza. Consequentemente, é necessário ter tempo para este tipo de "espectáculo ao natural". Terceiro, porque o mergulho é em mar aberto, com correntes fortes, o que é complicado para a maioria dos mergulhadores amadores, ou seja, este desporto é só para os expert em mergulho avançado. Quarto e mais importante, o óbvio: é se jogado no meio de uma "bola" de sardinhas que vão ser comidas por inúmeros animais maiores vindos por todos os lados, inclusive de fora da água. A probabilidade de se ser maltratado no meio desse frenesim é grande, e como as sardinhas fazem uma espécie de parede escura, a visibilidade não é das melhores. De repente pode-se dar de cara com um tubarão ou foca de boca aberta, pronto para uma mordidela no baitball. Ou seja, a hipótese de se ser confundido com comida é elevada. Adrenalina a 1000 é pouco para descrever a "brincadeira".
Mas, mesmo com todas estas dificuldades, os relatos que já li/ouvi de diferentes pessoas sobre a experiência de mergulhar e/ou assistir ao Sardine Run são fascinantes. É uma das milhares de peculiaridades biológicas da África que eu gostaria de um dia (quem sabe...) vivenciar. De preferência debaixo d'água.

A chegada dos cardumes é acompanhada de milhares de gaivotas que sobrevoam os cardumes e de golfinhos que gozam do festim enquanto ensaiam graciosos saltos e piruetas a poucos metros das praias. Os cardumes que chegam às praias são capturados por milhares de populares e turistas que, com o auxílio de redes e baldes e até mesmo à mão em grandes quantidades no espaço de algumas horas.

O "Sardine Run" levou as autoridades turísticas da região a promoverem anualmente o Festival da Sardinha, que decorre entre meados de Junho e finais de Julho e que inclui desportos náuticos, concertos de música, festivais gastronómicos, acrobacias aéreas, mergulho em áreas determinadas para observação dos cardumes de sardinhas e outras espécies e muitas outras actividades.

É MESMO UMA FESTA EM GRANDE.
Esta semana, os cardumes, que estão a ser monitorizados há vários dias ao longo da costa por aviões ultra-ligeiros alugados pela Junta de Turismo da Costa Sul e organizações marítimas oficiais, deram à costa na zona de Port Edward por duas vezes e continuam a movimentar-se mais ao largo, o que sugere que deverão dar às praias nos próximos dias.

Um dos eventos relacionados com o Festival da Sardinha é o Festival de Gastronomia e de Vinhos dos Marinheiros Portugueses, que decorrerá a 18 e 19 do corrente em Poet Edward.
Este festival, no qual se envolve a comunidade portuguesa da província, contará com iguarias da cozinha tradicional portuguesa, muitos mariscos, provas de vinho e ranchos folclóricos portugueses e zulus.
Em 2008, no mesmo festival, foi batido o recorde do Guiness da maior quantidade de marisco cozinhado e consumido num só dia e que era detido pela Junta de Turismo do Kuwait: 1.739 quilos de marisco foram consumidos por 7.200 visitantes.
Podes acompanhar o impressionante "Sardine Run" no vídeo







Fonte da notícia: DNCIÊNCIA e

http://www.interney.net/blogs/malla/?cat=1081

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aranha Cyclosa mulmeinensis cria "sósias" para enganar predadores

O mundo animal é uma fonte inesgotável de surpresas para os cientistas que todos os dias se deparam com curiosas e surpreendentes “habilidades” e comportamentos nas mais variadas espécies. A última a atrair a atenção dos investigadores foi a Cyclosa mulmeinensis, uma pequena aranha capaz, segundo os biólogos Ling Tseng y I-Ming Tso – da Universidade de Taichung, em Taiwan –, de fabricar uma imitação de si mesma em tamanho real que funciona como uma armadilha e evitar assim a acção dos depredadores.



Imagens de Cyclosa mulmeinensis retiradas de flickr.com

Muitos são os animais que se disfarçam para não atrair a atenção dos predadores. Entre as estratégias mais comuns estão a aquisição de uma forma ou padrão que se confunde com o meio envolvente e a adopção de padrões distintivos em áreas secundárias do corpo que se tornam alvo preferencial do ataque, garantindo no entanto, a sobrevivência do animal. No entanto, não é comum os animais criar imitações de si mesmos em tamanho real. Isto é exactamente o que faz a aranha Cyclosa mulmeinensis, de acordo com o artigo publicado na revista Animal Behaviour por uma equipa da Universidade de Tunghai, em Taichung (Taiwan).

Esta espécie, à semelhança de outras espécies do mesmo género, decora as suas teias com materiais muito diversos como detritos, partes de plantas, restos de presas ou sacos de ovos. O facto de estas “decorações” terem o tamanho aproximado do animal que o utiliza sempre intrigou os cientistas. Por outro lado, os investigadores verificaram que também a sua cor era semelhante à da aranha que tinha tecido a teia. Em resumo, estas aranhas utilizam elementos decorativos com tamanho, forma e aparência semelhantes à sua. Uma vez que estas cópias exactas são mais frequentemente atacadas que o próprio animal, é de concluir que “as decorações criadas pelas aranhas Cyclosa funcionam como um sistema anti predadores que substitui a camuflagem. Os benefícios de uma fuga bem-sucedida parecem compensar os custos associados a uma detecção mais frequente”, afirmou I-Min Tso que participou no estudo.

No entanto, a autora considera que nem todas as espécies de aranha que recorrem a elementos decorativos o façam como estratégia anti-predatória e que portanto não é uma explicação universal. Tso afirma “Penso que as decorações podem ter funções muito diversas e até variar de taxa para taxa. Aranhas diferentes parecem decorar as teias por diferentes razões”. Por exemplo, é muito frequente as aranhas decorarem as suas teias com ornamentos de seda que servem para fortalecer a teia, atrair as presas ou para evitar que animais de grandes dimensões choquem com as teias e as destruam.

Fonte: BBC Earth News e Elmundo.es

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Plantas invasoras ameaçam Portugal Continental

Portugal sob "GRAVE RISCO" de invasões biológicas. É urgente prevenir e gerir os impactos das invasões biológicas . GUIA de IDENTIFICAÇÂO dará uma ajuda preciosa para identificar as invasoras.


imagem retirada daqui

Será apresentado amanhã dia 28 de Abril, pelas 17h, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o “Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras de Portugal Continental”. Este livro, da autoria de Elizabete Marchante (CEF, FCTUC), Helena Freitas (CEF, FCTUC) e Hélia Marchante (CERNAS, ESAC), visa divulgar o tema das invasões biológicas, identificando as principais plantas invasoras de Portugal Continental. Profusamente ilustrado, este guia inclui uma introdução ao tema das invasões biológicas, informação diversa sobre cada uma das espécies e um glossário ilustrado.A apresentação do livro contará com a presença de dois convidados: o Dr. João Loureiro, da Unidade de Aplicação das Convenções Internacionais do ICNB, que apresentará a dimensão política e legislativa com o tema “A comercialização de espécies exóticas e a CITES”; e o Doutor Jorge Paiva, do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, que abordará a componente científica.

AS PLANTAS INVASORAS

Não conhecem leis nem fronteiras e causam, por todo o mundo, prejuízos superiores a cinco por cento do PIB global. As plantas invasoras estão a multiplicar-se cada vez mais depressa. Mas em Portugal já têm cadastro. Portugal está mais susceptível a invasões biológicas, com prejuízos graves para a economia e para a saúde. O alerta é das biólogas Helena Freitas, Elizabete Marchante e Hélia Marchante, autoras do novo guia sobre as plantas que ameaçam o território continental.


Segundo Helena Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia, Portugal está sob "grave risco" de invasões biológicas, com consequências para a economia nacional e para a saúde pública. De resto, um estudo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, citado pelo jornal Público, refere que só na Europa são gastos 10 mil milhões de euros no combate às espécies invasoras. Ao nível mundial, o Global Invasive Programme (GISP) estima que o prejuízo causado por estas plantas ascenda ao equivalente a 5 por cento do PIB global. "Entre as plantas invasoras que suscitam mais preocupação estão as acácias (a mimosa, por exemplo), o chorão-das-praias, a erva-das-pampas (ou penacho), a háquea-picante e o jacinto-de-água (na figura), mas há certamente mais", reconhece Elizabete Marchante, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.
Jacinto - de -água imagem daqui
Para a bióloga, "uma das grandes dificuldades associada ao problema das invasões biológicas é que cada pessoa, não consciente do problema, pode contribuir para o agravar, quer introduzindo novas espécies (intencional ou acidentalmente), quer utilizando espécies invasoras nas suas actividades profissionais ou mesmo no seu jardim. É fundamental investir nesta divulgação, pois só reconhecendo as espécies invasoras é que se pode evitar a sua utilização".As plantas utilizadas na decoração são elas próprias, frequentemente, espécies de risco. "Estas espécies podem vir de qualquer local do mundo. Chegam acidentalmente, por exemplo através de sementes misturadas com mercadorias, mas também intencionalmente, por exemplo para o mercado ornamental", explica Elizabete Marchante.Nem todas as plantas exóticas são nocivas, sublinha Helena Freitas. Contudo, como explica o guia, algumas destas espécies "além de superarem as barreiras geográficas, conseguem superar barreiras bióticas e abióticas", podendo tornar-se numa "ameaça para os ecossistemas naturais, para a produção de alimentos e, mesmo, para a saúde humana e para a própria economia".