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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bichos- da- seda transgénicos produzem teia da aranha

Fios de seda, casulos e bichos da seda transgénicos [Imagem: Dr Malcolm J. Fraser., Notre Dame University]
Cientistas conseguiram produzir bichos-da-seda transgênicos capazes de produzir seda de aranha.

Embora seja um objetivo há muito tempo perseguido pelos cientistas, até hoje apenas pequenas quantidades de teia de aranha haviam sido produzidas em laboratório.

Em virtude de utilizar o bicho-da-seda, largamente explorado na indústria, como matriz, o novo processo tem potencial para ser usado em larga escala.

As teias de aranha naturais têm várias propriedades físicas únicas, incluindo uma elasticidade e uma resistência à tração significativamente superiores à dos fios do bicho-da-seda.

Segundo os investigadores, a seda de aranha artificial, produzida pelos bichos-da-seda transgênicos, apresenta propriedades de força e flexibilidade similares à seda de aranha natural.

"Esta pesquisa representa um avanço significativo no desenvolvimento de fibras de seda aprimoradas tanto para aplicações médicas como não-médicas," afirma Malcolm J. Fraser, coordenador da equipe. "A produção de fibras de seda com as propriedades da teia da aranha tem sido uma das metas mais importantes na ciência dos materiais."


O fabrico da teia de aranha pelo bicho-da-seda foi possível graças a uma técnica chamada piggyBac, desenvolvida por Fraser. PiggyBac é um pedaço de DNA, conhecido como transposão, capaz de se inserir no mecanismo genético de uma célula.

Os cientistas manipularam geneticamente os bichos-da-seda para que eles incorporassem DNAs específicos extraídos das aranhas.Quando esses bichos-da-seda transgênicos tecem os seus casulos, a seda produzida por eles não é a seda de um bicho-da-seda comum, mas uma combinação de seda de bicho-da-seda e seda de aranha.

A proteína de seda geneticamente modificada produzida pelos bichos-da-seda transgênicos melhorou consideravelmente a elasticidade e a força dos seus fios, fazendo-os aproximar-se da qualidade da seda natural de aranha.

As fibras de seda de aranha têm inúmeras aplicações biomédicas em potencial, tais como fios de sutura mais finos e mais resistentes, curativos e suportes para a recuperação ou a substituição de tendões e ligamentos.

Como são extremamente resistentes, os cientistas apontam também para a possibilidade de uso das teias de aranha artificiais como material estrutural, em roupas à prova de balas, tecidos estruturais, roupas para atletas e até melhores airbags para automóveis.

Apesar de apresentarem uma resistência superior à do aço, contudo, as sedas são materiais biológicos - formados essencialmente por proteínas - o que significa que elas se biodegradam com facilidade, o que impõe limites ao seu uso.

A pesquisa foi realizada por colaboradores da Universidade de Notre Dame, da Universidade de Wyoming e da empresa Biocraft Kraig Laboratories.

Podes ver o video (Youtube)




e também aqui

terça-feira, 7 de julho de 2009

Aranha Cyclosa mulmeinensis cria "sósias" para enganar predadores

O mundo animal é uma fonte inesgotável de surpresas para os cientistas que todos os dias se deparam com curiosas e surpreendentes “habilidades” e comportamentos nas mais variadas espécies. A última a atrair a atenção dos investigadores foi a Cyclosa mulmeinensis, uma pequena aranha capaz, segundo os biólogos Ling Tseng y I-Ming Tso – da Universidade de Taichung, em Taiwan –, de fabricar uma imitação de si mesma em tamanho real que funciona como uma armadilha e evitar assim a acção dos depredadores.



Imagens de Cyclosa mulmeinensis retiradas de flickr.com

Muitos são os animais que se disfarçam para não atrair a atenção dos predadores. Entre as estratégias mais comuns estão a aquisição de uma forma ou padrão que se confunde com o meio envolvente e a adopção de padrões distintivos em áreas secundárias do corpo que se tornam alvo preferencial do ataque, garantindo no entanto, a sobrevivência do animal. No entanto, não é comum os animais criar imitações de si mesmos em tamanho real. Isto é exactamente o que faz a aranha Cyclosa mulmeinensis, de acordo com o artigo publicado na revista Animal Behaviour por uma equipa da Universidade de Tunghai, em Taichung (Taiwan).

Esta espécie, à semelhança de outras espécies do mesmo género, decora as suas teias com materiais muito diversos como detritos, partes de plantas, restos de presas ou sacos de ovos. O facto de estas “decorações” terem o tamanho aproximado do animal que o utiliza sempre intrigou os cientistas. Por outro lado, os investigadores verificaram que também a sua cor era semelhante à da aranha que tinha tecido a teia. Em resumo, estas aranhas utilizam elementos decorativos com tamanho, forma e aparência semelhantes à sua. Uma vez que estas cópias exactas são mais frequentemente atacadas que o próprio animal, é de concluir que “as decorações criadas pelas aranhas Cyclosa funcionam como um sistema anti predadores que substitui a camuflagem. Os benefícios de uma fuga bem-sucedida parecem compensar os custos associados a uma detecção mais frequente”, afirmou I-Min Tso que participou no estudo.

No entanto, a autora considera que nem todas as espécies de aranha que recorrem a elementos decorativos o façam como estratégia anti-predatória e que portanto não é uma explicação universal. Tso afirma “Penso que as decorações podem ter funções muito diversas e até variar de taxa para taxa. Aranhas diferentes parecem decorar as teias por diferentes razões”. Por exemplo, é muito frequente as aranhas decorarem as suas teias com ornamentos de seda que servem para fortalecer a teia, atrair as presas ou para evitar que animais de grandes dimensões choquem com as teias e as destruam.

Fonte: BBC Earth News e Elmundo.es

sábado, 6 de junho de 2009

As aranhas também sabem geometria?

Para descobrires a resposta clica em cima da imagem.


Antes de destruires a próxima teia de aranha como a da imagem seguinte, vê a beleza que há nela. É maravilhosa a geometria com que é construída uma teia. Aprecia!

Teia de aranha imagem retirada de http://www.funtasticus.com/20080930/amazing-spiderwebs/

consulta o site http://www.espace-sciences.org/ para descobrires mais animações e outras coisas de ciências.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Novas descobertas no "mal-amado" mundo das aranhas

Os biólogos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Luís Crespo e Jorge Paiva, descobriram duas novas espécies de aranhas no Jardim Botânico de Coimbra chamadas de Tegenaria barrientosi e Parapelecopsis conimbricensis.

Luis Crespo e Jorge Paiva no Jardim Botânico de Coimbra

A Tegenaria barrientosi entrou-lhe, literalmente, pela casa dentro. Luís Crespo estava a viver perto do Jardim Botânico, em Coimbra, e reconheceu a pequena aranha que lhe entrou em casa. “Em vez de acabar esmagada por uma vassoura, acabou num tubinho para ser analisada”, conta. E agora é uma nova espécie descrita num artigo publicado (no mês passado) na revista de zoologia Zootaxa.

As aranhas são normalmente consideradas seres repelentes, mas que assumem um papel muito importante no equilíbrio dos ecossistemas. “Como predadores de topo, as aranhas são excelentes bioindicadores.

Numa outra vertente, as aranhas produzem toxinas que podem ser usadas para o desenvolvimento de fármacos”, explica o biólogo da FCTUC. As teias de aranha, devido ao seu riquíssimo complexo proteico, produzem a seda natural com a melhor qualidade do mundo. Segundo Luís Crespo, com a descrição destas novas espécies está “aberto o caminho para novos estudos sobre a evolução da espécie e a sua utilidade para o Homem”. O biólogo prepara-se agora para estudar as aranhas das ilhas Selvagens e de Porto Santo.


“A biodiversidade é mal conhecida em Portugal e revela o valor patrimonial biológico do jardim botânico, um Jardim como uma enorme biodiversidade vegetal e animal, algumas delas raras e protegidas, como por exemplo, o mocho-real ou bufo-real (Bubo bubo), o maior mocho da Europa”, salientou Jorge Paiva, biólogo da FCTUC.


O jardim botânico é “um laboratório natural riquíssimo, que é necessário explorar, cuidar e preservar pela comunidade científica”, acrescenta Paiva. Colhidas em 2004, as novas espécies começaram a ser estudas um ano depois, com a colaboração da Universidade de Basel. Um trabalho complexo e moroso que implicou, ainda, a comparação com outras espécies existentes já descritas e registadas no World Spider Catalogue, uma base de dados providenciada pelo Museu de História Natural de Nova Iorque, onde constam todas as espécies existentes no mundo. De acordo com o World Spider Catalogue, existem 40 mil e 700 espécies. “Mas as estimativas apontam para que existam mais de 170 mil”. No catálogo das espécies existentes em Portugal (http://www.ennor.org/ ), o biólogo Pedro Cardoso contabiliza 779 espécies. Mas, nota Luís Crespo, “se juntarmos as espécies que foram recentemente publicadas e as que estão submetidas a contagem o número sobe para 819 espécies, sendo que certamente haverá mais para descobrir”.


Foto de Tegenaria barrientosi que mede cerca de sete milímetros tirada daqui
Os primeiros exemplares de Tegenaria barrientosi e a Parapelecopsis conimbricensis foram colhidos no Jardim Botânico de Coimbra mas Luís Crespo encontrou mais noutros locais. A Parapelecopsis conimbricensis que é descrita num artigo que aguarda publicação foi colhida também na Reserva Natural do Paúl de Arzila, por exemplo, e no mesmo trabalho o biólogo apresenta-nos outras seis novas espécies para a Ciência encontradas no norte de Portugal e Espanha, no Parque Natural do Douro Internacional, no Parque Florestal de Monsanto (Lisboa) e noutros locais dispersos do país.

A Tegenaria barrientosi e a Parapelecopsis conimbricensis são de famílias bem diferentes, diz Luis Crespo. “A nível filogenético... São primos afastados”, simplifica. Estas aranhas não são toxicologicamente perigosas para o homem. Aliás, a maior parte não é”, informa o biólogo. Além de inofensivas, as espécies que vivem no Jardim Biológico de Coimbra são pequeninas. A Parapelecopsis conimbricensis mede uns dois a três milímetros de corpo e a Tegenaria barrientosi cerca de sete. Entusiasmado, o especialista conta que para conseguir identificar um nova espécie é preciso uma trabalho rigoroso de análise de uma série de pormenores, a estrutura reprodutora, os olhos, as cores, o tamanho. No caso da Parapelecopsis conimbricensis há uma característica que merece destaque: “Os machos têm uma espécie de elevação na cabeça, que é uma espécie de torre com alguns olhos, onde existem dos sulcos que julgamos que são os locais onde a fêmea se prende quando acasalam”. Os estudos do comportamento virão mais tarde confirmar ou não a teoria, mas Luís Crespo não consegue esconder o ânimo com a descoberta. Algumas destas descobertas, como nos contou, entram-lhe pela casa dentro. Outras dão-lhe mais trabalho e ele tem de montar armadilhas para as conseguir. E há aranhas de estimação na casa de Luís Crespo? “Vivas? Não, não concordo. Só tenho uma aranha viva em casa quando preciso de a criar até adulta para os meus trabalhos. De resto, tenho uma colecção de exemplares em casa... alguns milhares. Mas estão em tubinhos conservadas em álcool.

Fontes da notícia: Cienciahoje e Público.pt