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terça-feira, 24 de novembro de 2009

O FOXP2 do chimpanzé e do homem - novo estudo sobre a origem da fala e linguagem

Geneticamente, somos muito parecidos com os chimpanzés. Mas há pelo menos uma coisa que nos distingue radicalmente desses nossos “primos”: nós falamos e eles não. Como é que essa profunda transformação surgiu ao longo da evolução?

Pouco se sabe ainda sobre os mecanismos biológicos da emergência da fala. Mas resultados publicados na revista Nature no dia 11 de Novembro por Dan Geschwind, da Universidade da Califórnia, e colegas, sugerem que ela se deverá, em parte, à evolução de um único gene. Mais precisamente: o FOXP2. O desenvolvimento da capacidade de falar nos seres humanos modernos, concluem os cientistas, terá começado com umas alterações naquele gene, surgidas depois de o nosso ramo evolutivo se ter separado do dos outros primatas. Essas alterações no FOXP2, por sua vez, provocaram duas mudanças na proteína fabricada pelo gene, que terão desencadeado uma série de acontecimentos celulares no cérebro humano e levado ao desenvolvimento da fala. “O nosso estudo é o primeiro a analisar o efeito nas células humanas destas [alterações] na proteína produzida pelo FOXP2” diz Geschwind num comunicado.Já se sabia que o FOXP2 estava envolvido nas capacidades linguísticas, porque no ser humano as mutações neste gene provocam perturbações da fala e da linguagem. Agora, os cientistas compararam o efeito das duas versões do gene – a “ancestral”, dos chimpanzés, e a humana actual – em células humanas e em tecidos humanos e de chimpanzé. E descobriram que os efeitos de cada versão do gene são diferentes: a proteína FOXP2 humana, cuja função é activar certos genes cerebrais e desactivar outros, não apresenta o mesmo padrão de activação que a proteína dos chimpanzés. “Descobrimos que um número significativo dos genes-alvo [da proteína FOXP2] têm uma expressão diferente nos cérebros humano e de chimpanzé”, diz Geschwind. “Não só as [duas versões] do [gene] FOXP2 são diferentes, como também funcionam de forma diferente. Os nossos resultados poderão permitir perceber por que os humanos nascem com os circuitos cerebrais necessários à fala e à linguagem e os chimpanzés não”, salienta.“Graças à identificação dos genes influenciados pelo FOXP2”, diz Genevieve Konopka, co-autora, “temos um novo conjunto de ferramentas para estudar como a linguagem humana é regulada ao nível molecular.” O que poderá permitir, segundo o mesmo documento, perceber as perturbações da fala associadas ao autismo ou a esquizofrenia – e talvez, um dia, encontrar formas de as atenuar.
Notícia lida em Público .pt

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Identificado Gene Que Favorece a Obesidade


Uma equipa europeia de investigadores identificou um gene cujas mutações aumentam o risco de obesidade, segundo um estudo publicado pela revista Nature Genetics na terça-feira.

Na base do trabalho, realizado por investigadores franceses e britânicos, está o gene PCSK1, que desempenha um papel essencial na maturação de várias hormonas com papel chave, ao nível do cérebro, na ingestão de alimentos.

Este gene fabrica uma enzima, a "proconvertase 1", que torna operacionais várias hormonas envolvidas no controlo do apetite, como a insulina, o glicagon ou a proopiomelanocortina (que provoca a saciedade).

Anteriormente, tinham sido identificadas mutações do PCSK1 em três pacientes que sofriam de uma forma rara e grave de obesidade, chamada monegénica (causada por um só gene), nos quais se constatou a ausência da enzima. "Quase 25% da população tem uma forma diferente desta enzima que é aparentemente um bocadinho menos activa", disse o Prof. Philippe Froguel, do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), da Universidade de Lille 2 e do Instituto Pasteur de Lille.

As investigações começaram com 150 famílias francesas com crianças obesas e foram depois alargadas a uma amostra maior de população em França, Dinamarca, Suíça e Alemanha. Os resultados mostram que anomalias aparentemente menores da enzima podem desencadear excesso de peso na população em geral, de acordo com os investigadores.

O aumento da frequência da obesidade e do excesso de peso é geralmente atribuído a alterações do modo de vida relacionadas com a dieta ou a sedentariedade, mas há vários "genes da obesidade" já identificados.

"Todos reagimos de modo diferente ao meio ambiente, que é cada vez mais semelhante, e a razão pela qual reagimos diferentemente tem em parte causas genéticas múltiplas. Este gene é uma causa entre outras", explica o investigador. "Penso que no final do ano teremos identificados uma dúzia de genes diferentes da obesidade".

Dados do estudo

Título: Common nonsynonymous variants in PCSK1 confer risk of obesity
Publicação: Nature Genetics, Julho de 2008
Autores: Michael Benzinou, John W M Creemers, Helene Choquet, Stephane Lobbens, Christian Dina, Emmanuelle Durand, Audrey Guerardel, Philippe Boutin, Beatrice Jouret, Barbara Heude, Beverley Balkau, Jean Tichet, Michel Marre, Natascha Potoczna, Fritz Horber, Catherine Le Stunff, Sebastien Czernichow, Annelli Sandbaek, Torsten Lauritzen, Knut Borch-Johnsen, Gitte Andersen, Wieland Kiess, Antje Körner, Peter Kovacs, Peter Jacobson, Lena M S Carlsson, Andrew J Walley, Torben Jørgensen, Torben Hansen, Oluf Pedersen, David Meyre e Philippe Froguel.

Martim Ramos em Público.PT -Peso & Medida (08/07/08)