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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Azahar na casa nova, em Silves

O primeiro de 16 linces chegou esta Segunda-feira, 26 de Outubro, ao Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves. Outros 15 linces vão chegar durante o mês de Novembro, provenientes dos centros espanhóis de reprodução Acebuche, no Parque Nacional de Doñana, e La Olivilla

A Femea do lince-ibérico Azahar - Foto: Nuno Veiga (agência Lusa)

Azahar, a fêmea de lince ibérico que foi transportada de Jerez de La Frontera, já está no Centro de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves. O seu nome provém do árabe e significa flor branca, flor de laranjeira (a amarga Citrus aurantium L., que já era conhecida pelos árabes antes dos Descobrimentos).
Pouco passava das quatro da tarde quando o jipe do Centro Zoológico de Jerez chegou à Herdade da Santinha, em Silves, mas Azahar, a fêmea de lince ibérico que atravessou a fronteira, ainda teria de esperar que todos os jornalistas estivessem presentes, para poder ganhar de novo liberdade condicionada.
Em Silves, onde foi libertada, Azahar conta agora com uma 'casa' de cerca de mil metros quadrados e bastante maior do que o espaço em que vivia.
Segundo relatou ao Observatório do Algarve Iñigo Sanchez, biólogo do Zoo espanhol, a fêmea viajou "bastante calma" durante todo o percurso, que rondou os 400 quilómetros de distância. "Saímos à uma da tarde (espanhola) e chegámos aqui perto das quatro", disse.
Azahar viajou dentro de uma caixa desde Espanha, sempre monotorizada por um veterinário.
Assim que os biólogos abriram a caixa, Azahar saíu que nem uma seta, dando vários saltos e só passado mais de uma hora o animal se acalmou.
Azahar, que tem agora cinco anos, viveu nos últimos três em cativeiro no jardim zoológico de Jerez de la Frontera. Não é um animal nascido em cativeiro, tendo sido capturada em 2006 após lhe ter sido detectado um problema na coluna, com a ajuda das múltiplas câmaras instaladas no parque de Jerez.
O animal, que se alimenta de coelho bravo, foi transferido hoje para Portugal ao abrigo do protocolo entre os ministros do Ambiente de Portugal e Espanha assinado em Agosto de 2007.
Agora, o Centro de Reprodução pretende que, após a adaptação, Azahar acasale com um dos machos que chegará ainda este ano.

Esta é uma etapa principal do Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal, que tem como objectivo viabilizar a conservação da espécie em território nacional, invertendo o processo de declínio continuado das populações que conduziu à situação actual de pré-extinção. No contexto ibérico, o Plano de Acção visa contribuir para assegurar a viabilidade da espécie enquanto elemento fundamental dos ecossistemas mediterrânicos.
O Plano de Acção procura como uma meta final, a longo prazo, possibilitar a reintrodução do lince-ibérico na sua área histórica de distribuição. O modelo estratégico de actuação assenta num conjunto de medidas que se complementam: o programa de reprodução em cativeiro, a recuperação e a manutenção do habitat favorável, e a reintrodução de espécimes da espécie em territórios adequados. Entre outros aspectos, ressalta a importância da gestão agrícola, florestal e cinegética para a criação das condições adequadas nos habitats potenciais de lince. O programa desenvolvido no CNRLI vai procurar favorecer o estabelecimento de uma população cativa de lince-ibérico viável do ponto de vista sanitário, genético e demográfico.
O CNRLI integra a rede ibérica de centros de reprodução de lince. Foi construído expressamente para servir este plano e inaugurado em Maio deste ano, resultando o seu financiamento de uma medida de sobrecompensação pela construção da barragem de Odelouca. A gestão é assegurada pelo ICNB.
Notícia lida aqui e também no portal do ICNB

domingo, 5 de julho de 2009

Natureza curiosa - Migração de caranguejos

Par quem gosta de caranguejos, Austrália é o destino certo! Porquê? Porque é o lugar onde acontece um fenómeno espectacular, A migração de milhões de caranguejos vermelhos.


Imagem de Gecarcoidea natalis (caranguejo vermelho) retirada de Flickr.com. Milhões de caranguejos vivem em buracos no solo da floresta de Christmas Island, comendo folhas,frutos e flores. Todos os anos na estação húmida migram para a costa para a desova.

A Ilha Christmas é um pequeno território ao norte da Austrália. Lá, sempre no último trimestre do ano, um fenômeno interessante ocorre. A reprodução e desova de mais de 150 milhões de caranguejos vermelhos (Gecarcoidea natalis).
Eles invadem a cidade em todos os lugares. Ruas, casas e escolas estão no caminho desta maré de crustáceos. A cidade inclusive tem placas indicando os caminhos principais por onde eles atravessam as ruas.
Agora imaginem que cada caranguejo fêmea coloca cerca de 100 mil ovos e os minúsculos caranguejos que nascem fazem o caminho de volta passando pela cidade. A ilha é invadida por uma maré vermelha . De caranguejos, claro! Milhões deles.
Os caranguejos que são crustáceos como os camarões, tem uma fase larval marinha, pelo que os ovos tem de ser depositados no mar. Esta é a razão que leva os caranguejos a migrarem das suas "casas" na floresta tropical onde vivem no período seco, de Outubro a Dezembro até as praias, levando cerca de cinco dias para ultrapassar uma distância por volta de 8 km.

Surpreende-te a ver esta migração fascinante no vídeo.





sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Tubarão fêmea virgem dá à luz

Observado segundo caso de tubarão fêmea virgem que deu à luz


Fonte da foto : Flickr

Investigadores norte-americanos confirmaram um segundo caso de reprodução de tubarões por partenogénese, ou seja, sem a participação de um macho, segundo um estudo publicado numa revista especializada em biologia marinha. Dermian Chapman, biólogo perito em tubarões no Instituto da Ciência de Protecção dos Oceanos da Universidade Stony Brook, de Nova Iorque, e principal autor deste trabalho, provou com um teste de ADN que a cria de um tubarão fêmea não continha material genético de um pai.

A fêmea é da espécie Carcharhinus limbatus, ou tubarão-de-pontas-negras. Vive há oito anos no aquário de Norfolk Canyon, na Virgínia, onde foi colocada pouco depois de ter nascido no oceano, e nunca teve contacto com machos.


Este é o segundo caso de partenogénese observado até agora em tubarões, tendo o primeiro sido descoberto pela equipa do mesmo biólogo no aquário do zoo de Omaha (Nebraska) numa fêmea de tubarão-martelo. "É agora claro que a partenogénese acontece em várias espécies de tubarões", sublinha Chapman num comunicado. "O primeiro caso de nascimento virgem em Maio de 2007 não foi um acaso e é possível que este fenómeno se produza por vezes em numerosas espécies de tubarões".

"É possível que a partenogénese se torne mais frequente entre os tubarões se a densidade da sua população baixar demasiado, fazendo com que as fêmeas tenham mais dificuldade em encontrar machos", segundo o biólogo Mahmood Shivji, da Universidade Nova Southeastern, na Florida, outro dos autores deste estudo publicado no Journal of Fish Biology.

As populações destes tubarões diminuiram muito nos últimos 20 anos devido ao excesso de pesca, nomeadamente para satisfazer a procura de barbatanas de tubarão.
Fonte da notícia: http://www.cienciahoje.pt/