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domingo, 23 de maio de 2010

"Pinóquio" encontrado a passear nas montanhas Foja

Expedição à ilha Nova Guiné descobre rã "Pinóquio" e outras novas espécies


rã "pinóquio"

O marsupial mais pequeno do Mundo


Pombo Imperial


Montanhas Foja

Uma expedição científica às remotas montanhas Foja, na ilha Nova Guiné, descobriu dezenas de novas espécies de mamíferos, répteis, anfíbios, insectos e aves, incluindo uma rã “Pinóquio”, revelaram a National Geographic Society e a Conservation International. Este sapo das árvores está entre as novas espécies encontradas em Foja

As espécies foram descobertas por uma equipa internacional que participava, no final de 2008, no projecto Rapid Assessment Program (RAP) da Conservation International. Durante cerca de três semanas, enfrentando chuvas torrenciais e enxurradas, os biólogos avaliaram o valor daquelas regiões montanhosas remotas, desde a povoação Kwerba, no sopé da montanha, até uma altitude de 2200 metros.

Entre as novas espécies encontradas está uma rã das árvores com um “nariz” pontiagudo (Litoria sp. nov.). A protuberância deste anfíbio inclina-se para cima quando o macho está mais activo, uma particularidade que os cientistas dizem estar interessados em estudar. “Esta foi uma feliz descoberta acidental, quando o herpetólogo Paul Oliver encontrou um destes animais em cima de um saco de arroz no acampamento”, explica a Conservation International em comunicado.

Outras descobertas incluem um novo morcego (Syconycteris sp. nov), que se alimenta de néctar das florestas tropicais, um pequeno rato das árvores (Pogonomy sp. nov.), uma borboleta branca e preta (Ideopsis fojana) e um arbusto (Ardisia hymenandroides).

Os cientistas encontraram também um pequeno canguru (Dorcopsulus sp. nov.) e captaram as primeiras imagens de um outro marsupial extremamente raro (Dendrolagus pulcherrimus), criticamente ameaçado pela caça em outras regiões da Nova Guiné.

“Talvez a maior surpresa da expedição tenha surgido quando o ornitólogo Neville Kemp avistou um casal de pombos imperiais (Ducula sp. nov.)”, acrescenta a organização. Os biólogos acreditam que as aves façam parte de uma população com muito poucos indivíduos.

“Numa altura em que animais e plantas desaparecem por todo o planeta a um ritmo nunca visto nos últimos milhões de anos, a descoberta destas formas de vida absolutamente incríveis é, claramente, uma notícia positiva”, comentou Bruce Beehler, investigador da Conservation International que participou na expedição às montanhas Foja. “Lugares como este representam um futuro saudável para todos nós e mostra que ainda não é demasiado tarde para travar a actual crise de extinção de espécies”, acrescentou.
A Conservation International espera agora que estas informações encorajem o Governo da Indonésia a proteger a região, a longo prazo. Hoje está classificada como santuário para a vida selvagem.

Notícia lida em publico.pt
Imagens retiradas daqui

domingo, 28 de dezembro de 2008

Descoberto um Paraíso Perdido de Biodiversidade em Moçambique

Insecto hemíptero - Monte Mabu. (Foto: Julian Bayliss/Kew)

Um dos últimos lugares do planeta que tinha escapado ao escrutínio da comunidade científica o “Monte Mabu”, situado no Norte de Moçambique foi descoberto este Outono por um grupo de cientistas britânicos através do uso de uma ferramenta tão prosaica como o Google Earth.

Neste “paraíso perdido” com sete mil hectares, os cientistas identificaram, para já, três novas espécies de borboletas e uma de cobra. Em apenas três semanas, a expedição liderada por uma equipa dos Jardins Botânicos Reais de Kew, no Reino Unido, os cientistas encontraram centenas de espécies diferentes de plantas, novas populações de aves raras, borboletas, macacos e uma nova espécie de cobra gigante, camaleões pigmeus, víboras, além de uma rara orquídea. A equipe recolheu mais de 500 amostras de plantas para análise. Com os espécimes que recolheram e levaram para casa, os cientistas esperam descobrir novas espécies de plantas.A floresta na região montanhosa do Norte do país era, até então, desconhecida para a comunidade científica devido aos difíceis acessos e a anos de guerra civil (1975 – 1992). Em 2005, Julian Bayliss, cientista britânico dos Jardins Botânicos, estava à procura de um possível projecto de conservação no Google Earth, na Internet, quando descobriu aquele “bocado de verde” e decidiu ir conhecê-lo. Depois de algumas primeiras visitas, a expedição de 28 cientistas – do Reino Unido, Moçambique, Malawi, Tanzânia e Suíça - partiu em Outubro com 70 carregadores para a floresta. Segundo conta o “The Observer”, a estrada levou a expedição até uma antiga quinta de produção de chá, abandonada. Para lá, era a floresta. Foi aí que montaram acampamento durante quatro semanas e encontraram uma riqueza biológica insuspeita, como as centenas de plantas tropicais. O líder da expedição, o botânico Jonathan Timberlake salientou que "A fenomenal diversidade é muito impressionante", considerou ainda ao “Telegraph” que descobrir novas espécies não só é importante para a ciência como ajuda a salientar a necessidade dos esforços de conservação nas regiões do mundo mais ameaçadas pela desflorestação e pelo rápido desenvolvimento. Segundo ele, ainda há muitos locais como o Monte Mabu inexplorados ao redor do mundo.
No momento, os cientistas britânicos estão trabalhando com o governo de Moçambique para proteger a área descoberta e incentivar a sua conservação pela comunidade local.

Existe atualmente o risco de que o presente crescimento da economia moçambicana e sobretudo do seu sector agrícola possa ameaçar este lugar único em Moçambique e no mundo. Queimadas, abate de árvores para exploração de madeira e até conversão da zona em campos agrícolas estão a pressionar a floresta.

Esperemos que esta floresta virgem de Moçambique permaneça protegida e lamentamos que esta descoberta tenha envolvido universidades britânicas e suíças, além de cientistas moçambicanos e dos países limítrofes mas que universidades portuguesas estejam completamente fora desta que já pode ser considerada como uma das mais espantosas descobertas do ano…
Mais fotos das espécies descobertas aqui